No primeiro dia aberto a denúncias, os telefones não pararam e foram validados pelo menos 50 testemunhos de abusos sexuais na igreja

Agência Lusa , BCE
11 jan, 23:14
Pedro Strecht e José Ornelas (Lusa/António Cotrim)

Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais na Igreja Católica Portuguesa começou esta terça-feira a receber denúncias e testemunhos de casos ocorridos desde 1950

No primeiro dia de canais abertos para denúncias de abusos sexuais na igreja católica portuguesa, a linha telefónica “esteve quase sempre preenchida” e ao final da tarde já tinham sido validados “cerca de 50 testemunhos”.

O coordenador da Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais na Igreja Católica Portuguesa, o pedopsiquiatra Pedro Strecht, disse, numa resposta escrita enviada à Lusa, que as denúncias foram validadas "por inquérito online ou preenchido em telefonema".

Pedro Strecht sublinhou ainda que o número de testemunhos pode ser superior, uma vez que este balanço foi dos contactos até às 18:30, sendo que a linha telefónica só encerra pelas 20:00.

“A comissão congratula-se com o facto de a sua mensagem inicial ter sido bem acolhida por pessoas que foram vítimas deste tipo de abusos”, disse.

A comissão que vai investigar abusos sexuais na igreja católica em Portugal começou esta terça-feira a receber denúncias de vítimas, de casos ocorridos desde 1950, que podem ser remetidos às autoridades e investigados se os crimes ainda não tiverem prescrito.

A comissão recebe testemunhos de vítimas que o queiram fazer, ou de terceiros que queiram denunciar casos que conheçam, sendo que o grupo de trabalho tem mecanismos instalados para triar falsos testemunhos que possam surgir.

As denúncias e testemunhos podem chegar à comissão através do preenchimento de um inquérito online no site que adota o lema e objetivo da comissão no seu endereço, mas também do número de telefone +351917110000, disponível entre as 10:00 e as 20:00 diariamente, mas que não pretende ser nem uma “linha SOS, nem de apoio psicológico”, como frisou Filipa Tavares, assistente social com experiência em acompanhamento de crianças e famílias, que integra a comissão.

Os testemunhos podem também chegar por email, enviadas para um apartado que vai estar disponível no site da comissão ou presencialmente, mediante marcação prévia de entrevista.

A comissão pretende recolher testemunhos e denúncias de pessoas que tenham sofrido abusos na infância e adolescência, até aos 18 anos.

O trabalho desta comissão independente vai decorrer ao longo deste ano, até 31 de dezembro, num espaço físico “descaracterizado” e “autónomo” da Igreja, estando prevista a apresentação de um relatório em dezembro. O financiamento dos trabalhos será assegurado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), mas estará aberto a eventuais contribuições de outras instituições, que serão divulgadas “mais à frente” deste processo, segundo Pedro Strecht.

No final dos seus trabalhos, a comissão vai elaborar um relatório, a ser entregue à CEP, que decidirá que ações tomar.

Relacionados

Crime e Justiça

Mais Crime e Justiça

Patrocinados