Petróleo russo: Comissão Europeia altera proposta de embargo para agradar à Hungria, Eslováquia e República Checa

6 mai, 09:54
Extração de petróleo em Nefteyugansk, Rússia (Reuters)

União Europeia propôs mudanças no plano de embargo do petróleo russo, numa tentativa de conquistar os Estados relutantes em aderir à proibição

A Comissão Europeia alterou a proposta de embargo ao petróleo russo para estender o período antes de entrar em vigor para a Hungria, Eslováquia e República Checa, adiantaram duas fontes diplomáticas à Reuters esta sexta-feira.
 
De acordo com a nova proposta, a Hungria e a Eslováquia podem continuar a poder comprar petróleo russo a partir de oleodutos até ao final de 2024, enquanto a República Checa poderá continuar apenas até junho de 2024, desde que não obtenha petróleo através de um oleoduto de sul da Europa mais cedo, detalharam as fontes.

A proposta ajustada, a ser discutida pelos membros da UE numa reunião na sexta-feira a partir das 07:30 (hora de Lisboa), inclui ainda uma transição de três meses antes da introdução da proibição de serviços de transporte marítimo para transportar petróleo russo, em vez de um mês.

Segundo a Reuters, a proposta também implicaria ajuda com investimentos para atualizar a infraestrutura petrolífera e mitigar o impacto das sanções.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, revelou estar na aprovação do novo pacote de sanções contra a Rússia: "Estou confiante de que colocaremos este pacote nos trilhos - se leva um dia a mais, leva um dia a mais - mas estamos a mover-nos na direção certa", disse von der Leyen  numa conferência.

O primeiro plano da Comissão Europeia apresentado esta semana inclui uma proibição gradual das importações do petróleo russo num prazo de seis meses, ampliando para oito meses no caso do petróleo refinado. 

Inicialmente, a Comissão Europeia propôs conceder à Hungria e à Eslováquia um período de mais um ano, até ao dia 31 de dezembro de 2023, para renunciar às importações do petróleo russo devido à situação geográfica dos dois países, muito dependentes do crude russo. 

Hungria diz que sanções são uma "bomba atómica" para a economia do país

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán disse esta sexta-feira que não pode apoiar a última proposta de sanções da Comissão Europeia porque renunciar ao petróleo russo num prazo tão curto pode "ser uma bomba atómica" para a economia do país.  

"A proposta que está sobre a mesa gera um problema e não propõe uma solução para esse mesmo problema. Isto é inaceitável do ponto de vista húngaro", disse Orbán na transmissão radiofónica semanal aos microfones da estação pública Kossuth de Budapeste.

"A proposta equivale a uma bomba contra a economia húngara", acrescentou.

Segundo Orbán, a proposta da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, não considera os diferentes "condicionalismos geográficos" de cada país que, no caso da Hungria, diz Orbán, não tem possibilidade de importar petróleo por mar e só recebe crude "através de um oleoduto proveniente da Rússia".

A Hungria importa da Rússia 60% do petróleo e 85% do gás que gasta anualmente.

Segundo Orbán, o prazo adicional de ano meio não é suficiente porque a Hungria tem de reformar toda a infraestrutura relacionada com a energia, processo que "pode tardar quatro ou cinco anos" e constitui um investimento muito avultado. 

"Mandei para trás a proposta da presidente (da Comissão Europeia) para que seja revista" disse Viktor Orbán, recordando que o pacote de sanções requer um voto unânime dos países membros da União Europeia. 

Orbán disse que Budapeste espera uma nova proposta.

Mesmo assim, o primeiro-ministro, conhecido pela proximidade ao chefe de Estado russo, Vladimir Putin, assinalou que a Hungria vai debater a proposta da Comissão Europeia e que não quer "confrontos, mas sim negociações". 

Sobre o conflito na Ucrânia, Orbán afirmou que "não se trata da guerra da Hungria". 

"É uma guerra russo-ucraniana. Não quero estabelecer aqui relações de igualdade porque a Rússia atacou a Ucrânia", disse reiterando que a "Hungria quer a paz e que não quer envolver-se no conflito armado".  

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