Relatório. Grávidas que perderam bebés em Santa Maria e Cascais sofreram complicações "imprevisíveis"

8 jul 2025, 00:14
Urgência

Comissão de Acompanhamento da Resposta em Urgência de Ginecologia/Obstetrícia e Bloco de Partos já enviou relatório sobre os dois casos recentes de mortes fetais ao Ministério da Saúde

A Comissão de Acompanhamento da Resposta em Urgência de Ginecologia/Obstetrícia e Bloco de Partos já entregou ao Ministério da Saúde o relatório sobre os dois casos recentes de mortes fetais ocorridos nos hospitais de Santa Maria, em Lisboa, e de Cascais.

De acordo com o relatório, a que a CNN Portugal teve acesso, ambos os casos apontam para complicações obstétricas de evolução súbita e difícil previsão em grávidas que tinham sido acompanhadas clinicamente sem sinais de alarme.

Caso de Santa Maria: a grávida que passou por cinco hospitais em 13 dias

A grávida em causa foi assistida por três vezes nas duas semanas anteriores ao parto em urgências hospitalares da Península de Setúbal, sempre por queixas "de menor gravidade" e com avaliações clínicas "normais", de acordo com a informação prestada pelas Unidades Locais de Saúde (ULS), citada no relatório.

Às 40 semanas e seis dias de gestação, foi encaminhada para o Hospital de Cascais para indução do parto, mas, por gestão de vagas, acabou por ser transferida para o Hospital de Santa Maria, onde iniciou o processo no mesmo dia.

A mãe e o feto encontravam-se bem à entrada e durante a maior parte do trabalho de parto, segundo o relatório. No entanto, já nos momentos finais, ocorreu uma compressão aguda e "imprevisível" do cordão umbilical, que levou a uma baixa oxigenação fetal. Foi realizada uma cesariana de emergência, mas o bebé não sobreviveu, refere a comissão, que considera tratar-se de um caso "em que a rapidez e a imprevisibilidade da evolução clínica não permite uma intervenção atempada".

Caso de Cascais: a grávida que não tinha dinheiro para pagar a viagem

Já o caso da grávida com 31 semanas de gestação que foi assistida no Hospital de Cascais, o relatório também aponta uma situação de imprevisibilidade que conduziu a um desfecho fatal. A mulher contactou o CODU na madrugada de 3 de julho devido a contrações regulares e, seguindo o protocolo, a chamada foi reencaminhada para o SNS24, sendo indicada a deslocação ao Hospital de Santa Maria, onde acabaria por não ir por questões financeiras.

Minutos depois, à 01:47, a grávida voltou a ligar ao CODU com contrações mais frequentes, sendo então acionada uma ambulância dos Bombeiros Voluntários do Barreiro. Às 02:28, foi reportado que as contrações eram irregulares e a utente foi referenciada para o Hospital de Cascais, por este ter vaga em cuidados intensivos neonatais àquela hora.

Pouco depois, os bombeiros comunicaram uma hemorragia vaginal, foi acionada de imediato a VMER do Barreiro, sendo o hospital de destino mantido. A grávida acabaria por dar entrada no Hospital de Cascais às 03:59, onde foi diagnosticado um descolamento major da placenta e confirmada a morte fetal.

Segundo a comissão, “os descolamentos major da placenta são situações imprevisíveis, com uma mortalidade muito elevada", mesmo em contextos hospitalares”.

A nota reforça ainda que a transferência de grávidas com menos de 34 semanas para unidades com cuidados intensivos neonatais disponíveis é prática estabelecida há mais de 40 anos, "de acordo com as melhores práticas internacionais”.

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