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Irão intensifica ataques contra infraestruturas energéticas, preço do gás na Europa dispara

Agência Lusa , AM
19 mar, 09:23
A Europa tem tanto gás natural que o preço desceu abaixo de zero. JP Black/LightRocket/Getty Images

Agravamento da guerra acentua impacto nos preços

O preço do gás na Europa disparou esta quinta-feira 35% após os ataques às infraestruturas energéticas no Médio Oriente, em particular um ataque iraniano à maior instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Qatar.

Pouco depois do início das negociações às 07:00 desta quinta-feira (06:00 em Portugal Continental), o contrato de futuros holandês TTF, considerado a referência europeia, subiu 28,06% para 70 euros por megawatt-hora, depois de ter chegado a subir 35%.

A empresa estatal de energia do Qatar reportou esta quinta-feira "danos consideráveis" no complexo de gás de Ras Laffan, após novos ataques com mísseis contra este local crucial, alimentando receios quanto ao fornecimento internacional de energia.

Doha esclareceu posteriormente que todos os incêndios no local estavam "controlados", acrescentando que não houve feridos e que as operações de arrefecimento e segurança continuavam.

O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou destruir o campo de gás de South Pars, no Irão, caso o país lançasse outro ataque contra instalações de gás no Qatar.

O ataque com drones também atingiu hoje de manhã uma das maiores refinarias do Kuwait, causando um incêndio numa das suas unidades, segundo os meios de comunicação estatais.

Bolsas europeias em forte baixa

As principais bolsas europeias abriram hoje em forte baixa devido à subida do preço do petróleo depois dos ataques às infraestruturas energéticas do Médio Oriente, e à falta de expectativas de cortes nas taxas pela Reserva Federal dos EUA (Fed).

Cerca das 09:10 em Lisboa, o EuroStoxx 600 estava a baixar 1,82% para 587,04 pontos.

As bolsas de Londres, Paris e Frankfurt cediam 1,80%, 1,48% e 2,34%, respetivamente, enquanto as de Madrid e Milão se desvalorizavam 2,24% e 1,89%.

A bolsa de Lisboa mantinha a tendência da abertura, com o principal índice, o PSI, a acentuar a queda para 1,59% para 8.989,01 pontos.

Na abertura do mercado, o euro mostra-se estável e é trocado a 1,1457 dólares no mercado de câmbios de Frankfurt, contra 1,1452 dólares na quarta-feira.

Esta quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) decidirá previsivelmente manter a taxa diretora em 2% e o Banco da Inglaterra em 3,75%, depois de na quarta-feira a Fed ter feito o mesmo e mantido as taxas na faixa de 3,5% - 3,75%.

O mais relevante é o que ambos os comités podem aportar sobre o futuro das taxas diretoras e sobre o impacto que a guerra do Irão pode ter sobre as mesmas.

As principais bolsas asiáticas registavam hoje quedas significativas, de modo que o principal índice da bolsa de Tóquio, o Nikkei, caiu 3,38%, o principal índice da bolsa de Seul, o Kospi, desceu 2,73%, o índice de referência da bolsa de Xangai cedeu 1,39%, o da de Shenzhen perdeu 2,02% e o Hang Seng de Hong Kong recuava 2,16% pouco antes do final da sessão.

O preço do petróleo Brent, de referência na Europa, para entrega em maio, sobe 6,07% para 113,81 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), de referência nos EUA, para entrega em abril avança 1,5%, para 97,77 dólares, enquanto ocorrem novos ataques à infraestrutura energética por parte do Irão depois da ofensiva de Israel contra o campo de gás natural Pars Sur do país persa.

Estes ataques agravam a pressão sobre o fornecimento de energia já afetado pelo bloqueio pelo Irão do trânsito no estreito de Ormuz, crucial para o comércio de petróleo e gás.

O gás natural para entrega em abril no mercado TFF dos Países Baixos, referência na Europa, também se valorizava 22,60%, para 67,015 euros por megawatt-hora (MWh), contra 54,662 euros na quarta-feira.

A forte subida do petróleo, que começou a ser registada na quarta-feira novamente, também se deveu à publicação do índice de preços da produção (IPP) de fevereiro nos EUA, variável que mostrou um inesperado aumento das pressões inflacionistas a nível de fábrica.

Os futuros dos índices norte-americanos apontam para recuos de 0,45% para o Nasdaq e de 0,28% para o Dow Jones.

Na quarta-feira, o Dow Jones terminou a cair 1,63% e o Nasdaq a baixar 1,46%.

Os metais preciosos registavam quedas: a do ouro de 0,18% e a da prata de 0,20%.

O preço da onça de ouro, historicamente considerado um ativo de refúgio em tempos de incerteza, estava hoje a descer, com a onça a ser negociada a 4.714,92 dólares, depois de um novo máximo de sempre, de 5.417,21 dólares, em 28 de janeiro.

A onça da prata também estava a desvalorizar-se, para 71,08 dólares, depois de ter subido até ao máximo de sempre de 116,6974 dólares em 28 de janeiro.

No mercado de dívida, os juros da obrigação a 10 anos da Alemanha avançavam para 2,966%, contra 2,938% na quarta-feira.

Quanto às criptomoedas, a bitcoin caia 1,66% para 70.043,7 dólares.

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