Principais exportadores de matéria-prima para Portugal são a Nigéria e os Estados Unidos. Mas isso não impediu que o preço do gasóleo sofresse um aumento de quase 20 cêntimos, após nove dias de conflito entre a coligação Israel e EUA e o Irão
Portugal importou 10,5 milhões de toneladas de petróleo bruto em 2024. Pagou um valor de seis mil milhões de euros. De acordo com o último relatório da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), foi mais 14,3% (em quantidade) e mais 13,5% (em valor) em relação a 2023. O principal fornecedor de petróleo bruto foi o Brasil com 44,3% do total das importações, seguindo-se a Argélia com 17,8%.
Está longe de depender do Médio Oriente no que diz respeito à importação de petróleo bruto. E o mesmo acontece em relação ao gás natural. De acordo com dados de 2023 constantes do mesmo relatório, o principal fornecedor de gás natural a Portugal foi a Nigéria, com 48% do total das importações, seguindo-se os Estados Unidos, com 37,2%.
Ainda assim, após nove dias de conflito entre o Irão e a coligação composta pelos EUA e por Israel, os combustíveis sofreram uma "abrupta subida". Só amanhã, terça-feira, se saberá o aumento real dos preços médios em Portugal, mas as previsões do ACP apontavam para subidas na casa dos 20 cêntimos no litro de gasóleo e de 7,5 cêntimos na gasolina.
A explicação de Ricardo Marques, analista da IMF - Informação de Mercados Financeiros, SA, é clara e baseia-se na lei da oferta e da procura: “Portugal compra ao Brasil e à Argélia. Mas quem comprava à Arábia Saudita, vai agora comprar a África e à América do Sul. É normal que os preços subam em Portugal e subam já”.
Magda Moura Canas, porta-voz da DECO PROteste, lembra que, “com nove dias de conflito, parece que já passámos várias semanas, quando comparamos com o impacto do conflito da Ucrânia”. “Portugal não depende diretamente do petróleo e do gás natural do Médio Oriente, no entanto, os constrangimentos internacionais vão ter sempre ter impacto nos preços dos combustíveis e dos bens e serviços. Os produtores internacionais que dependem do fornecimento do petróleo do Médio Oriente vão sobrecarregar outros países fornecedores”, sublinha.
Ambos os especialistas lembram que a subida de preços nos combustíveis não é inédita e que, “há quatro anos, estávamos a passar exatamente pela mesma situação”.
Ricardo Marques acrescenta ainda que o preço do gás natural só não sofreu ainda o mesmo impacto porque, “nos Estados Unidos, existem limitações à exportação”. “A partir do momento em que um produto pode ser exportado, como é o caso do petróleo bruto, o preço tende, naturalmente, a subir”, remata.
A semana começou com um aumento na ordem dos 20 cêntimos no litro de gasóleo e de 7,5 cêntimos na gasolina. Mas podemos esperar aumentos ainda mais impactantes. É que, esta segunda-feira, o preço do barril de petróleo rondou os 120 dólares. Um preço que já não se via há pelo menos quatro anos. De sexta-feira de manhã, quando foram anunciadas as previsões dos aumentos dos combustíveis, para segunda-feira, o preço do petróleo subiu mais de 30%.
A subida de preços prevista para esta segunda-feira terá sido a maior de sempre de uma semana para a outra e acontece depois de Estados Unidos e Israel terem lançado um ataque contra o Irão há nove dias, provocando retaliação do Irão também sobre países vizinhos que são grandes produtores de petróleo, como a Arábia Saudita, Iraque ou Catar. Além dos bombardeamentos, o Irão anunciou o “encerramento” do Estreito de Ormuz, a principal porta de passagem do petróleo e gás natural exportados pelo Médio Oriente.