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Portugal ainda é altamente dependente a nível energético: é daqui que vêm o petróleo e o gás natural que consumimos

9 mar, 12:21
Porto de Sines (Getty)

Já importámos mais à Rússia, mas ainda importamos. Na lista também cabem países como Azerbaijão, Gana ou Brasil

Apesar do grande aumento do peso das energias renováveis no mercado de consumo, Portugal continua a ser um país altamente dependente da importação de combustíveis fósseis.

De acordo com o último relatório da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), a nossa dependência energética ainda está nos 66,7%, de acordo com dados de 2023. Embora o valor tenha descido mais de quatro pontos percentuais, ainda representa dois terços da necessidade.

“A dependência energética de Portugal foi de 66,7%, menos 4,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior e menos 6,9 pontos percentuais face a 2013. Na União Europeia, Portugal foi o 11.º país com a maior dependência energética, 8,4 pontos percentuais acima da média da UE 27 que foi de 58,3%”, pode ler-se.

E grande parte dessa dependência faz-se, naturalmente, de petróleo e gás natural, com o outro terço do consumo, aquele que é produzido internamente, a surgir das energias renováveis.

De acordo com a DGEG, grande parte do consumo de Portugal é feito através do petróleo, que é responsável por quase metade da energia consumida em Portugal, tanto na forma primária, como na forma final.

Se considerarmos apenas o consumo de energia final, o petróleo representa mesmo 46% do consumo, enquanto as renováveis contribuem apenas com 12,8%. Quanto ao gás natural, aparece com 9,6%, havendo ainda uma grande fatia para a eletricidade.

E se Portugal ainda consome muitos combustíveis fósseis, de onde vem todo este petróleo e gás natural? Ao todo, e de acordo com a DGEG, já importámos petróleo a 28 países e gás natural a 13 países este século, havendo agora menos diversificação e uma grande concentração nos parceiros.

O último relatório, datado de 2024, dá conta de que grande parte do petróleo que chega a Portugal vem do Brasil, que foi responsável por quase metade do ouro negro que chegou aos nossos portos. Com menos peso, mas com peso substancial, Estados Unidos e Argélia também exportaram petróleo para Portugal.

Há ainda registos de importações a países como Azerbaijão, Gana, Líbia, Nigéria ou Noruega, numa lista que já teve países tão diferentes como Venezuela ou Gabão.

Quanto ao gás natural, é uma energia que Portugal ainda importa da Rússia, por exemplo, até porque está contratualmente obrigado a fazê-lo. Trata-se, ainda assim, de um parceiro residual, sendo os mais relevantes Estados Unidos, Nigéria ou Argélia. Também há registos de importações de Espanha, mas apenas porque é de lá que chega o gás natural vindo do Norte de África, que entra na Península Ibérica através de um gasoduto que depois vem para Portugal.

Como vemos, Portugal não importa petróleo ou gás natural de nenhum país do Médio Oriente, mas isso não quer dizer que não venha a ser afetado.

É que o mercado é global e reage sempre de forma assustada ao que acontece no Médio Oriente, nomeadamente no Estreito de Ormuz, agora encerrado, onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. É quase como se pudéssemos aplicar a velha máxima: “O Médio Oriente espirra e o mundo petrolífero constipa-se”.

Em todo o caso, e independentemente do que venha a acontecer ao preço do petróleo, o abastecimento não está posto em causa, até porque a União Europeia garantiu que há reservas suficientes para alimentar o mercado durante 90 dias, o que também se aplica a Portugal.

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