Comissão Europeia pede aos 27 que reduzam o consumo de combustível

31 mar, 12:51
Parlamento Europeu (Lusa/EPA/RONALD WITTEK)

Os Estados-membros dependem dos mercados globais para o fornecimento de combustíveis fósseis e estão em competição direta com outros consumidores. Essa competição pela oferta disponível, que agora é mais disputada, vai levar à volatilidade nos mercados europeus, considera Bruxelas

A Comissão Europeia pediu aos Estados-membros para reduzirem o consumo de combustível devido à guerra dos EUA e de Israel com o Irão.

O objetivo é antecipar uma perturbação que pode prolongar-se no tempo. Numa carta escrita aos ministros da energia da União Europeia, a que a CNN Portugal teve acesso, o Comissário para a Energia traça um caminho para mitigar o impacto do conflito na Europa: “Os Estados-membros devem abster-se de tomar medidas que possam aumentar o consumo de combustível, limitar a livre circulação de produtos petrolíferos e desincentivar a produção das refinarias da UE.”

O sector dos transportes é o foco principal das medidas que deverão servir para “redução da procura e em conformidade com os planos de contingência” dos vários países. 

Apesar de repetir insistentemente que não faz parte do conflito, as consequências são inevitáveis para a União Europeia. O impacto na segurança do abastecimento é contido, garante o executivo comunitário nesta carta, mas há várias preocupações a curto prazo. Os 27 dependem dos mercados globais para o seu fornecimento de combustíveis fósseis, e estão em competição direta com outros consumidores. Essa competição pela oferta disponível, que agora é mais disputada, vai levar à volatilidade nos mercados europeus, escreve Dan Jorgensen. 

Nos produtos petrolíferos refinados, a dependência da União Europeia da região do Golfo Pérsico agrava-se ainda mais pela menor capacidade de refinação dentro da UE, por um lado, e pela indisponibilidade de fornecedores alternativos, por outro. A estratégia europeia para salvaguardar a disponibilidade de produtos petrolíferos no mercado da União Europeia pode passar também pelo adiamento de ações de manutenção não urgentes nas refinarias e pela adoção de biocombustíveis, que podem ajudar a substituir os produtos derivados do petróleo.

Bruxelas volta a desdramatizar os impactos na segurança e insiste que está numa “posição de relativa preparação, dada a obrigação dos Estados-membros de manterem reservas de petróleo e de possuírem planos de contingência em resposta a incidentes que comprometam a segurança do abastecimento”.

Economia

Mais Economia

Mais Lidas