CP ganha mais autonomia e deixa de contar para o défice do Estado

9 abr, 11:56
CP – Comboios de Portugal

 

 

 

 

A CP passa a entidade de mercado e sai do perímetro do Estado, ganhando autonomia para investir e gerir a operação, sem alterar o serviço público ferroviário

A CP – Comboios de Portugal vai deixar de integrar o perímetro orçamental do Estado, passando a ser classificada como entidade de mercado, numa mudança que lhe permitirá ganhar maior autonomia e flexibilidade de gestão.

Em comunicado, a empresa revela que a decisão, que decorre de regras europeias, implica que a CP deixe de contar diretamente para o défice público, aproximando-se de um modelo mais empresarial e menos condicionado por restrições orçamentais.

"O novo enquadramento jurídico institucional permite reduzir a aplicação de regras orçamentais mais estritas, reforçando a sua autonomia financeira e de gestão. Representa uma adaptação do modelo organizacional da CP a uma lógica mais próxima da gestão empresarial, conferindo maior autonomia e agilidade na tomada de decisões", lê-se no comunicado.

A partir de 2027, a empresa deverá reunir melhores condições para avançar com investimentos estratégicos, como a renovação e modernização da frota, o reforço da fiabilidade do serviço e a melhoria da qualidade da oferta aos passageiros.

"A saída do perímetro do Estado traduz-se, assim, num reforço da responsabilidade da gestão da CP e num sinal de confiança na maturidade e na capacidade da empresa para operar num modelo mais moderno, eficiente e alinhado com a evolução do setor ferroviário, incluindo em contexto europeu", acrescenta a nota.

Apesar da reclassificação, a CP mantém-se no setor empresarial do Estado e continua sujeita a mecanismos de supervisão e controlo. O serviço público ferroviário não sofre alterações, permanecendo assegurado pelo Estado através do contrato de serviço público.

A medida surge também num contexto de liberalização do setor ferroviário, preparando a empresa para competir em mercados mais concorrenciais, incluindo na alta velocidade, sem alterar a sua missão de serviço público.

"A missão da CP permanece inalterada, alterando‑se apenas o modelo de enquadramento jurídico institucional que nos permite ter maior autonomia, num quadro que procura conciliar eficiência, sustentabilidade e interesse público, representando simultaneamente maior responsabilidade para continuarmos a garantir, com rigor e compromisso, a sustentabilidade futura da CP", salienta o presidente do Conselho de Administração da CP, Pedro Moreira.

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