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"Não é ilegal" mas também "não é desejável" ter apenas um controlador de tráfego aéreo num aeroporto. "Foi uma das causas de dois grandes incidentes em Portugal"

31 jan 2025, 18:00
Acidente avião helicóptero Washington GIF
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Na noite da colisão entre um avião comercial da American Airlines e um helicóptero militar Black Hawk num dos aeroportos "mais movimentados dos EUA" havia apenas um controlador a fazer o tráfego aéreo. Especialistas dizem que esta "não é a melhor prática", ainda que não seja "ilegal" - e dão exemplos de casos em Portugal

Os especialistas em aviação garantem à CNN Portugal que “não é ilegal” haver um único trabalhador a fazer o controlo de tráfego aéreo numa torre de controlo, como terá acontecido na noite da colisão entre um avião da American Airlines e um helicóptero militar Black Hawk, perto do aeroporto da capital dos EUA. Mas também “não é desejável”, sublinha Pedro Castro especialista em aviação civil.

Segundo uma fonte do controlo de tráfego aéreo citada pela CNN, na noite da colisão, o mesmo controlador estava a fazer em simultâneo o controlo do tráfego aéreo civil e militar. “Isto não é ilegal e, ao que li, acontece por rotina”, afirma José Correia Guedes, antigo comandante da TAP. “Agora, se é a melhor prática, eu acho que não”, acrescenta.

É que o aeroporto Ronald Reagan, de Washington DC, “é um dos mais movimentados nos EUA”, aponta José Correia Guedes. “Tem um tráfego intenso, e a profissão do controlador aéreo é extremamente stressante e cansativa”, sublinha.

Para Pedro Castro, “o trabalho do controlador aéreo é demasiado importante para a segurança aérea” e para “ser deixado ao acaso”. O especialista em aviação civil recorda que a escassez de controladores aéreos “foi uma das causas pelas quais tivemos grandes incidentes em Portugal e que foram investigados pelo Gabinete de Prevenção e de Investigação de Acidentes Aéreos.”

O especialista refere-se a “incidentes no Aeroporto do Porto e no Aeroporto de Ponta Delgada” em que, segundo Pedro Castro, “foi verificado na altura que, além das instruções erradas ou das omissões da torre de controlo, ocorreram uma série de irregularidades ao nível da presença de pessoal na torre de controlo”.

Os casos de "irregularidades de pessoal na torre de controlo" nos aeroportos em Portugal

No primeiro caso, dia 26 de junho de 2023, a torre de controlo do aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, autorizou a aterragem do Boeing 737, da Ryanair, quando na mesma pista estava outro avião, da SATA, a aguardar autorização para descolar. O incidente, considerado grave, só não teve consequências graves porque o piloto alertou o controlador aéreo e interrompeu todos os procedimentos de aproximação à pista.

Na altura, num relatório preliminar, a NAV Portugal confirmou “a existência de um erro humano, porquanto não foi emitida autorização de descolagem à aeronave Air Azores, o que terá causado uma momentânea falha de perceção sobre a situação operacional”. Consequentemente, a NAV Portugal decidiu, “como medida mitigatória do risco identificado, a separação funcional da posição de gestão de chão, com responsabilidade na gestão dos movimentos nas placas de estacionamento e caminhos de circulação das aeronaves, da posição de gestão de ar e pista.”

“Esta separação funcional permitirá, em momentos de tráfego elevado e complexo, que o controlador de tráfego aéreo responsável por aeronaves no ar e na pista tenha a sua atenção unicamente focada nesta área de responsabilidade”, pode ler-se no relatório preliminar, disponível no site oficial da NAV Portugal, não tendo sido publicado um relatório final.

Já em relação ao caso do Aeroporto de Ponta Delgada, Pedro Castro refere-se a uma situação ocorrida em 3 de junho do ano passado, quando a torre de controlo daquele aeroporto, na ilha de São Miguel, Açores, autorizou, em simultâneo, a descolagem e a aterragem de um avião, tendo sido o piloto ainda em terra a alertar para a situação.

Já em dezembro de 2022, o GPIAAF detetou falhas graves e sistémicas no controlo de tráfego aéreo nos aeroportos do Porto e de Ponta Delgada, que autorizaram descolagens e aterragens quando ainda se encontravam viaturas a realizar inspeção ou manutenção da pista.

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