Conseguiu bilhete para os Coldplay em Coimbra? Isto é o que precisa saber sobre o concerto

25 ago, 15:54
Coldplay (AP)

Estão praticamente esgotados os bilhetes para os quatro concertos que o grupo vai dar no estádio de Coimbra, em Portugal, em maio do próximo ano

Os Coldplay comprometeram-se a plantar uma árvore por cada bilhete vendido para a sua digressão "Music of the Spheres". O que significa que vão plantar muitas árvores. Só em Portugal, onde o grupo começou por anunciar uma atuação e acabou com quatro concertos - a 17, 18, 20 e 21 de maio do próximo ano - terão sido vendidos perto de 200 mil bilhetes, uma vez que, segundo a promotora Everything Is New, o Estádio Cidade de Coimbra tem uma lotação de 50 mil pessoas. 

A última digressão do grupo, em 2016 e 2017, teve 5,4 milhões de espectadores - foi uma das maiores digressões de sempre, conseguindo uma receita de cerca de 500 milhões de dólares (mais de 502 milhões de euros). A avaliar pelo que tem acontecido este ano, com a enorme procura de bilhetes e a marcação de diversas datas extra, esta tournée poderá ser ainda maior. A digressão começou em março na Costa Rica e deveria terminar na Argentina, em novembro. Mas na semana passada a banda anunciou uma nova série de concertos em 2023, que arrancam precisamente em Coimbra, passando depois por Barcelona, Manchester, Cardiff, Nápoles, Milão, Zurique, Copenhaga, Gotenburgo e terminando em Amesterdão, em julho.

Em 2019, depois do lançamento do álbum "Everyday Life", os Coldplay anunciaram que iriam parar de fazer digressões até perceberem como poderiam fazê-las de forma mais sustentável. No regresso à estrada, no ano passado, além de plantar árvores, a banda comprometeu-se a cortar em 50% as emissões de carbono dos seus concertos (por exemplo, reduzindo as viagens de avião). Além disso, o objetivo é que todos os concertos sejam alimentados por energia renovável. Para isso, existe um "piso cinético", que funciona com uma bateria, criado em parceria com a marca de automóveis  BMW. A bateria é carregada com óleo de cozinha reciclado (em princípio, de restaurantes locais), energia solar e movimento humano.

“Quando digo que têm de pular para cima e para baixo, preciso, literalmente, que vocês pulem, se não as luzes irão apagar-se", explicou o cantor Chris Martin à BBC, acrescentando que também há bicicletas de energia cinética, aproveitando a energia dos espectadores. “Quando as pessoas se mexem, impulsionam o concerto."

As pulseiras de LED do público (responsáveis por um fantástico efeito visual) são feitas de plástico reciclado e os outros cenários e adereços são produzidos, maioritariamente, com materiais reciclados e biodegradáveis, como bambu. Os efeitos visuais (iluminação e lasers) são o mais eficientes possível.

Apesar de não conseguirem o objetivo inicial de fazer uma digressão sem pegada de carbono, os Coldplay afirmaram que estão satisfeitos porque com as receitas obtidas vão apoiar projetos de reflorestação, conservação e regeneração do solo, captura/armazenamento de carbono e energias renováveis.

“Estamos a dar o nosso melhor mas não conseguimos a perfeição”, admitiu Martin, aquando da apresentação das primeiras datas. “[Mas] não estaríamos a anunciar uma digressão se sentíssemos que estamos demasiado longe.” E acrescentou: "Poderíamos ficar em casa e isso poderia ser melhor. Mas queremos fazer uma digressão, conhecer as pessoas e estabelecer ligações com elas - então, tentamos fazê-lo da maneira mais limpa possível." O vocalista disse que seu objetivo é que, nos próximos anos, tenham conseguido mudar, nem que seja "levemente" a forma como se fazem digressões. 

Sobre a sustentabilidade da digressão sabemos pouco mais, mas sobre os concertos que já aconteceram, os muitos vídeos publicados pelos fãs nas redes sociais não deixam margem para dúvidas: quem vai ao concerto dos Coldplay deve estar preparado para uma enorme festa de luzes, cores, confetti e fogo de artifício, com milhares de pessoas a entoarem em coro as canções do princípio ao fim, num ambiente de grande alegria. A palavra "festa" é mesmo para levar à letra. Ou como escreve o The Guardian: "um gigantesco e eufórico coro".

 

 

 

E o que é ainda mais admirável, de acordo com alguns críticos, é que muitos dos fãs que hoje fazem fila para conseguir um bilhete para um concerto de Coldplay não tinham ainda nascido quando o grupo começou a tocar as suas primeiras canções.

O cantor Chris Martin, o guitarrista Jonny Buckland, o baixista Guy Berryman e o baterista Will Champion criaram os Coldplay em 1996. O grupo britânico começou a sua carreira com passos tímidos mas logo ao primeiro disco, "Parachutes", lançado em 2000, conseguiu um Brit Award para Álbum do ano e um Grammy para Melhor Álbum de Música Alternativa. A partir daí, não mais pararam. O quarto disco " Viva la Vida or Death and All His Friends" (2006), foi produzido por Brian Eno. Fazendo uma fusão que fica algures entre a pop, o rock alternativo, a eletrónica, o indie e o R&B, os Coldplay têm mais de mais 100 milhões de discos vendidos em todo o mundo e com os concertos dos álbuns "Mylo Xyloto" (2011), "Ghost Stories" (2014) e "A Head Full of Dreams" (2015) mostraram que têm uma enorme capacidade para mobilizar os fãs.

Nos concertos em Coimbra pode haver bolas de praia gigantes lançadas sobre o público (como em "Adventure of a Lifetime"). Pode haver momentos de maior intimidade, com Chris Martin ao piano (em "Scientist"). Haverá certamente canções bem conhecidas de todos, como "Fix You", "In My Place", "Viva La Vida", "A Sky Full of Stars" e até o primeiro grande sucesso da banda, "Yellow", mas também muitos temas do último disco. Pode haver convidados para participar em algumas músicas, sobretudo no encore (já houve Natalie Imbruglia e Craig David, por exemplo). Haverá muitos vídeos publicados nas redes por esses dias. Mas pode também haver um momento, como houve em Wembley, em que o vocalista pede aos espectadores para desligarem os telemóveis e desfrutarem plenamente da música e daquele instante de comunhão.

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