COI recebe denúncia contra Infantino «por violação de neutralidade política»

15 jul, 13:16
Gianni Infantino, presidente da FIFA (FOTO: AP Photo/Mark Schiefelbein)
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Presidente da FIFA terá quebrado as regras da Carta Olímpica em múltiplos episódios de proximidade com Donald Trump

O Comité Olímpico Internacional (COI) recebeu uma denúncia contra o presidente da FIFA por «violação das regras de neutralidade política».

Gianni Infantino é membro de do COI desde de janeiro de 2020, pelo que, de acordo com a carta constitutiva do organismo, deve agir independentemente de interesses políticos e comerciais, não podendo aceitar «de governos, organizações ou outras partes, qualquer mandato ou instrução que possa interferir na liberdade de ação e voto».

A denúncia foi apresentada pela Organização Não Governamental (ONG) FairSquare, que acusa o líder da FIFA de violar repetidamente os princípios da Carta Olímpica e do código de ética do COI.

«Há evidências convincentes de que Infantino cometeu cinco violações claras das regras do COI sobre neutralidade política por meio de declarações ou outras manifestações explícitas de apoio ao presidente dos EUA. O relatório também apresenta indícios de outras duas violações graves, que o COI investigou», pode ler-se no comunicado publicado pela ONG.

O caso de maior impacto mediático recente prende-se com o seu alegado envolvimento na suspensão do cartão vermelho aplicado a Folarin Balogun, no jogo entre os Estados Unidos e a Bósnia e Herzegovina, a contar para os 16 avos de final do Mundial 2026.

Recorde-se que a reversão da sanção surgiu após uma revisão pedida pelo próprio presidente dos EUA. A polémica reside no facto de Donald Trump ter confirmado que o processo começou com uma chamada telefónica com Infantino, embora o líder da FIFA tenha negado qualquer envolvimento direto, assegurando que os órgãos judiciais do organismo funcionam de forma totalmente independente.

No entanto, este é apenas um de vários episódios denunciados pela FairSquare nos quais Infantino terá quebrado o dever de distanciamento político.

O primeiro caso remonta a 20 de janeiro de 2025, quando, num vídeo publicado no Instagram após marcar presença num evento associado à tomada de posse de Trump, o dirigente concluiu a gravação afirmando: «Juntos, faremos não apenas a América grande novamente, mas também o mundo inteiro». 

A FairSquare sublinha que, ao adaptar diretamente o famoso slogan de campanha «Make America Great Again» (MAGA), o dirigente renunciou de forma flagrante à sua obrigação de neutralidade.

A queixa contempla também o apoio público que o líder da FIFA deu à candidatura de Trump ao Prémio Nobel da Paz, através de uma publicação nas redes sociais a 9 de outubro de 2025, na véspera do anúncio do vencedor.

«Todos em todo o mundo devem agora apoiar plenamente este processo de paz. O Presidente Donald J. Trump merece definitivamente o Prémio Nobel da Paz pelas suas ações decisivas», escreveu Infantino nas redes sociais.

A FairSquare considerou o episódio «um claro apoio pessoal à intervenção do Presidente Trump numa situação política altamente controversa».

Precisamente um mês depois, a 5 de novembro de 2025, ao ser questionado sobre a sua relação com o presidente norte-americano no American Business Forum, em Miami, Infantino partilhou que Trump era «um grande amigo» e «que todos deveriam apoiar as suas decisões».

A relação estreita voltou a ficar evidente a 10 de dezembro, durante o sorteio do Mundial em Washington D.C., quando o líder da FIFA subiu ao palco do Kennedy Center para entregar a Trump o recém-criado Prémio da Paz da FIFA, garantindo publicamente que o presidente norte-americano contaria sempre com o seu apoio.

«Isto é o que queremos de um líder... você merece definitivamente o primeiro Prémio da Paz da FIFA pela sua ação, por aquilo que obteve à sua maneira, mas obteve-o de uma forma incrível e pode sempre contar, Senhor Presidente, com o meu apoio», afirmou.

Já em 2026, a 19 de fevereiro, o presidente da FIFA compareceu na sessão de abertura do Conselho de Paz de Trump, onde utilizou um boné vermelho com a inscrição “45-47” — uma referência direta aos dois mandatos do presidente norte-americano.

Por último, a FairSquare solicitou ao Comité Olímpico que averigue a publicidade feita pelo dirigente a um espaço de entretenimento para adeptos no Mundia 2026, suspeitando-se que a base de dados recolhida nessa plataforma tenha sido gerida por uma empresa associada ao universo político de Trump.

Esta denúncia, originalmente enviada ao Comité de Ética da FIFA em dezembro de 2025, conta agora com o apoio da Federação Norueguesa de Futebol e de vários membros do Parlamento Europeu.

A contestação ganhou força política quando 50 eurodeputados exigiram, a 29 de junho, que a FIFA investigasse a entrega do Prémio da Paz a Trump, criticando as «violações repetidas» de neutralidade por parte de Infantino. Já no início deste mês, a pressão subiu de tom quando 72 parlamentares europeus incentivaram os 27 presidentes das federações de futebol da União Europeia a abrir um inquérito sobre as decisões que envolveram o caso Balogun.

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