"A cocaína não é pior que o whisky": presidente da Colômbia quer legalizar droga para a vender "como vinho"

CNN , Edward Szekeres
7 fev 2025, 08:32
Cocaína apanhada em operação da Polícia Judiciária (Rodrigo Antunes/Lusa)

O presidente colombiano Gustavo Petro afirmou que “a cocaína não é pior do que o whisky”, sugerindo que a indústria global da cocaína poderia ser “facilmente desmantelada” se a droga fosse legalizada em todo o mundo.

A Colômbia é o maior produtor e exportador de cocaína do mundo, principalmente para os Estados Unidos e a Europa, e o governo passou décadas a lutar contra o tráfico de drogas.

“A cocaína é ilegal porque é produzida na América Latina, não porque é pior do que o whisky”, disse o presidente durante uma reunião ministerial de seis horas que foi transmitida em direto.

“Os cientistas analisaram isso”, afirmou.

O líder de esquerda, que assumiu o cargo em 2022, prometeu combater o tráfico de drogas e regulamentar o uso de substâncias ilegais. No entanto, desde que chegou ao poder, a produção de cocaína na Colômbia aumentou.

O cultivo de folhas de coca na Colômbia aumentou 10% em 2023 em relação ao ano anterior, enquanto a produção potencial de cocaína atingiu um recorde de mais de 2.600 toneladas métricas, um aumento de 53%, disse o gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime em outubro.

Nas suas observações durante a reunião, Petro sugeriu que a cocaína deveria ser legalizada como o álcool para combater o tráfico.

“Se queremos paz, temos de desmantelar o negócio [do tráfico de drogas]”, reiterou. “Poderia ser facilmente desmantelado se legalizassem a cocaína no mundo. Seria vendida como vinho”.

Em contrapartida, Petro destacou o fentanil, uma droga sintética que está no centro da crise dos opiáceos nos Estados Unidos, dizendo que “está a matar americanos, mas não é fabricada na Colômbia”.

“O fentanil foi criado como um medicamento de farmácia pelas multinacionais norte-americanas” e aqueles que o usaram "tornaram-se viciados", sublinhou.

Os seus comentários surgem quase duas semanas após um impasse diplomático com o presidente Donald Trump, depois de a Colômbia ter bloqueado a aterragem de dois voos militares americanos com imigrantes deportados, acusando os Estados Unidos de tratarem os imigrantes colombianos como criminosos.

Mais tarde, a Colômbia concordou em aceitar os deportados e enviou os seus próprios aviões para ajudar no seu regresso, após uma série de ameaças que incluíram tarifas elevadas, uma proibição de viajar para cidadãos colombianos e a revogação de vistos para funcionários colombianos.

A Colômbia tem sido um importante aliado dos Estados Unidos fora da NATO e, durante décadas, foi o seu parceiro mais próximo na América do Sul, trabalhando em estreita colaboração nos esforços de combate ao tráfico de droga.

A cocaína é a quarta droga mais consumida no mundo, de acordo com a ONU, e é ilegal na maioria dos países. No entanto, alguns governos descriminalizaram a posse da droga em pequenas quantidades.

De acordo com o Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos Estados Unidos, podem ocorrer complicações médicas graves com o seu consumo, incluindo o transtorno por uso de cocaína - uso compulsivo do estimulante viciante - e overdose. A adulteração da droga com opiáceos sintéticos, como o fentanil, também contribuiu para o aumento do número de mortes por overdose, de acordo com o NIH.

Entretanto, o NIH adverte que o consumo de álcool pode provocar lesões, violência, envenenamento por álcool ou overdose, com efeitos secundários do consumo excessivo como doenças do fígado e cancro.

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