“Temos a sorte ou o azar de ter salários mais baixos do que na Europa”, afirma CEO da Coba

5 jul, 07:36
Construção

REVISTA DE IMPRENSA. Fernando Prioste queixa-se da dificuldade em contratar no mercado nacional, dada a escassez de oferta formativa de engenheiros, e admite que a empresa já está a perder dinheiro em alguns contratos

O CEO da Coba (Consultores de Engenharia e Ambiente) lamentou, em entrevista ao Jornal de Negócios, que o executivo de António Costa não tenha regulamentado os preços dos serviços aquando da revisão dos custos para a construção.

“Consideramos que (o Governo) se esqueceu (dos consultores de engenharia). O decreto-lei reconhece um problema e terá de ser feita uma portaria de extensão para estes serviços, mas ainda não aconteceu”, afirma Fernando Prioste.

O CEO queixa-se que o aumento dos custos com materiais e mão de obra ainda não se reflete “no aumento dos preços” dos serviços que prestam, e admite que a empresa já está a “perder dinheiro nalguns contratos”.

“Nós temos projetos em que orçamentámos gastar em gasóleo 300 e 350 euros por mês e neste momento estamos a gastar 500 a 600 euros (…) Não tivemos de parar nenhum (projeto), mas provavelmente nalguns já se está a perder dinheiro”.

Prioste lamenta também que a engenharia, ao contrário da medicina ou da advocacia, continue a ser comprada segundo o critério do preço mais baixo, e salienta ainda que a empresa tem dificuldades em contratar trabalhadores, tendo de ir buscá-los ao estrangeiro. “As nossas universidades não estão a dar vazão às necessidades do mercado. Ao nível da engenharia civil hoje forma-se um terço ou um quarto dos engenheiros que se formavam há 15 anos”.

Mencionando a expansão que a empresa irá fazer para o Luxemburgo, com a abertura de uma filial, bem como o facto de integrar um consórcio internacional candidato a um projeto do CERN, Fernando Prioste elenca uma característica importante para os mercados como o do Norte da Europa, decorrente do facto de a Coba ser uma empresa portuguesa.

“A Coba é vista como uma empresa com competências reconhecidas internacionalmente, e temos a sorte ou o azar de ter salários mais baixos do que no resto da Europa, o que nos torna mais competitivos (…) A nossa competitividade, comparada com os mercados do Norte da Europa, é muito pelo lado do preço, mas mesmo assim acabam por ser tarifas interessantes quando comparadas com as que se praticam em Portugal”, diz Prioste ao Negócios.

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