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Falta mais "promoção de saúde" e "mais desporto universitário" em Portugal (mas também "temos de nos orgulhar")

18 jun, 17:25
Álvaro Beleza e Miguel Guimarães na CNN Summit

Miguel Guimarães e Álvaro Beleza abordam a criação de valor na área da Saúde em Portugal e deixam sugestões para resultados mais favoráveis

Miguel Guimarães, ex-bastonário da Ordem dos Médicos, diz que Portugal “ainda tem um caminho grande para fazer” na área dos cuidados de saúde, nomeadamente no acesso: “É verdade que é a primeira grande dimensão da qualidade, mas depois nós temos os resultados”. E para os obter é necessário “passar para a fase seguinte” que implica “investimento, investigação e inovação”.

“Sempre que eu trato bem um doente e tenho um bom resultado, obviamente que esse doente se torna mais eficiente em custo-benefício, se eu tiver menos complicações gasto menos dinheiro e para o doente é muito melhor”, explica o médico no CNN Summit desta terça-feira.

Não obstante, entende que o setor ainda não esteja a aplicar “de forma generalizada” estes princípios, sendo que a principal preocupação é atualmente o acesso.

Mas há várias dimensões inerentes à criação de valor na Saúde, continua. Acima de tudo, a necessidade de “ter mais pessoas saudáveis e menos pessoas doentes” e, neste sentido, “ainda não demos um passo a sério”, observa o convidado.

“Temos de fazer uma grande promoção da saúde e fazer aquilo que se chama a prevenção da doença e obviamente ter um plano integrado de educação para a saúde”, sugere. “E isto, meus amigos, começa nas escolas, começa com os professores, abrange todas as profissões desde os engenheiros, passando pelos autarcas, que é para nós conseguirmos chegar às pessoas e explicar às pessoas o que é ser saudável”.

Apostar, por exemplo, numa boa alimentação e no exercício físico é, segundo Miguel Guimarães, “fundamental” para “conseguir ter uma grande parte daquilo que são os nossos problemas de saúde resolvidos”. Desta forma “vamos ter mais pessoas saudáveis do que pessoas doentes, vão ter uma esperança média de vida ainda maior do que aquela que têm atualmente, mas sobretudo com mais qualidade, que é o grande problema que nós temos neste momento em Portugal”.

Ao seu lado, o médico e comentador da CNN Portugal Álvaro Beleza intervém para “pôr o copo meio cheio” e compara o país à Dinamarca, que diz ter uma dimensão e um número de habitantes semelhante.

“A Dinamarca gasta mais ou menos a percentagem do PIB que nós gastamos, só que a diferença é que nós, em termos de despesa pública, gastamos 15 mil milhões e a Dinamarca gasta 30 mil milhões”, observa. Ou seja, “nós gastamos mais ou menos a percentagem do PIB de outros países europeus, mas os resultados que tivemos são excecionais”.

Álvaro Beleza defende que, com uma despesa bastante inferior, a população portuguesa consegue ter uma maior longevidade e uma taxa de mortalidade infantil igual ou menor do que a Dinamarca e outros países que gastam mais em saúde.

“Gosto de pensar que temos de nos orgulhar do que se fez em saúde, não só pública mas também privada, temos resultados que falam por si”, conclui.

Concorda, contudo, com Miguel Guimarães na necessidade de Portugal ser um país onde as pessoas sejam mais saudáveis e precisem menos de ser tratadas, “e isso começa de pequenino”.

Além das atividades mais comuns, como andar a pé, de bicicleta ou correr, o convidado sugere ainda “mais desporto escolar” e “mais desporto nas universidades”.

“Basta ver os campus universitários americanos para perceber que têm muito mais desporto do que em Portugal”.