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21 novembro 2022

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Boris Johnson em Lisboa a convite da CNN Portugal

17 nov, 08:30

No primeiro aniversário da CNN Portugal, o ex-primeiro-ministro britânico vem participar num jantar-conferência para falar sobre a guerra na Ucrânia e as transformações geopolíticas que estão a acontecer no mundo

Foi o primeiro chefe de governo a deslocar-se à Ucrânia depois da invasão russa, onde haveria de voltar mais duas vezes — e, com isso, criar uma amizade com o presidente Volodymyr Zelenksy. Boris Johnson tem sido, ao longo deste ano, uma das vozes mais audíveis na condenação de Vladimir Putin e sobre as consequências da guerra, sejam económicas, políticas ou de segurança para a Europa.

Zelensky chamou-lhe “um grande amigo da Ucrânia” e chegou mesmo a condecorá-lo com a Ordem da Liberdade, a mais alta distinção do Estado ucraniano a um estrangeiro. Isto depois de Boris ter sido dos primeiros chefes de governo a disponibilizarem-se para oferecer ajuda militar à Ucrânia e de ter considerado Putin alguém capaz de “usar táticas bárbaras”, dizendo que “seria louco se usasse armas nucleares”.

Num discurso inédito feito perante o Parlamento ucraniano, Boris Johnson afirmou que “só há um desfecho entre o bem e o mal": "A Ucrânia vai vencer”, garantiu. Numa intervenção em que citou Churchill várias vezes, o então primeiro-ministro do Reino Unido lembrou aos deputados ucranianos que os seus "filhos e netos vão dizer que os ucranianos ensinaram ao mundo que a força bruta de um agressor não conta para nada contra a força moral de um povo determinado em ser livre”.

Até deixar de ser primeiro-ministro do Reino Unido, Johnson quis sempre assumir-se como uma espécie de líder do Ocidente na defesa da Ucrânia — nas intervenções públicas, mas, sobretudo, na ajuda que concedeu àquele país e que se traduziu em 2,4 mil milhões de libras (mais de dois mil e 700 milhões de euros). E foi, ainda, dos primeiros chefes de Estado a avançar com várias sanções à Rússia, depois da invasão a 24 de fevereiro deste ano. Isso acabou por lhe valer o título de inimigo n.º 1 do Kremlin.

Quem é o “BoJo”?

Jornalista, escritor e político. Aos 55 anos, Boris Johnson já fez um pouco de tudo. Nasceu em Nova Iorque, nos Estados Unidos e tem antepassados turcos. Estudou no colégio interno de Eton, escola de onde saíram vários primeiros-ministros, aristocratas e até alguns membros da realeza britânica. Mais tarde, foi em Oxford que se formou em Estudos Clássicos.

Antes da política, o jornalismo foi a sua primeira grande paixão. Polémico e irreverente, já à época, acabou despedido do jornal The Times por ter inventado uma citação — algo que veio a reconhecer como um erro, pelo qual pediu desculpa. Seguiu-se o Daily Telegraph, para quem escreveria a partir de Bruxelas como correspondente. Os artigos, quase sempre críticos das instituições europeias, antecipavam a sua oposição à integração do Reino Unido na União Europeia.

O seu euroceticismo haveria de atingir o ponto mais alto durante o referendo do Brexit, em 2016, do qual Boris Johnson foi um dos principais protagonistas, na defesa da saída do Reino Unido do grupo de Estados-membros.

Venceu ele — e o "Leave" —, mas esta não foi a primeira vitória nas urnas de “BoJo”, como também é conhecido. Foi eleito, por duas vezes, mayor da Câmara de Londres (entre 2008 e 2016), antes de integrar, pela primeira vez, o governo britânico como ministro dos Negócios Estrangeiros e da Commonwealth.

A sua ambição política, porém, depois de ter trabalhado também nos bastidores dos governos de Howard e Cameron, estava longe de ficar por um cargo na equipa governamental. Com o Brexit vieram as negociações difíceis com a Comissão Europeia, às quais Theresa May não resistiu. Estava ali a oportunidade: em 2019, já como líder do Partido Conservador, conseguiu a maior vitória na Câmara dos Comuns desde 1987 e a melhor votação do partido desde 1979.

“Better call Boris”

O protagonismo e o respeito internacional que alcançou com o seu posicionamento relativamente à guerra na Ucrânia foram, no entanto, inversamente proporcionais no que toca à política doméstica. Uma sucessão de polémicas – onde se incluiu o partygate, a propósito de festas não autorizadas durante a pandemia — levou o seu próprio partido a apontar-lhe a porta da rua do n.º 10 de Downing Street.

Seguiu-se Liz Truss, a primeira-ministra que resistiu no cargo ainda menos tempo do que uma alface resiste depois de ser colhida da terra. O anúncio de uma drástica descida de impostos atirou a libra ao charco e deixou os mercados tão nervosos que obrigou o Banco Central de Inglaterra a intervir para salvar a moeda e a economia inglesas.

A Liz Truss não restou outra alternativa que não fosse sair pela porta mais pequena da política e o Partido Conservador ficou, em pouco mais de um mês, novamente sem líder. Boris Johnson ainda sonhou com um regresso a Downing Street — e muitos dentro do partido sonharam com ele, mostrando a importância que continua a ter na política britânica —, mas acabou por não avançar, deixando o caminho aberto a Rishi Sunak. Um desfecho que não foi propriamente do agrado do governo ucraniano, que chegou a escrever no Twitter “better call Boris”, para depois apagar logo a seguir.

Boris Johnson na CNN Portugal International Summit

Num contexto de incerteza, com uma guerra na Europa sem fim à vista e que está a provocar várias disrupções do ponto de vista económico e político em todo o mundo, Boris Johnson vem a Lisboa na próxima segunda-feira, dia 21 de novembro, véspera do primeiro aniversário da CNN Portugal.

O ex-primeiro ministro britânico é o keynote speaker de um jantar exclusivo, onde fará uma intervenção sobre a Guerra da Ucrânia e as transformações geopolíticas que daí resultam, seguindo-se uma conversa em palco com o jornalista da CNN Internacional Richard Quest.

 

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