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Portugal esgota esta terça-feira os recursos deste ano e começa a usar o "cartão de crédito" de 2025

Agência Lusa , BCE
27 mai, 14:20
Água (Tony Gutierrez/AP)

No ano passado, os recursos esgotaram logo no dia 7 de maio. A associação Zero atribui este recuo no impacto da pegada ecológica aos efeitos da pandemia na atividade económica em 2023

Portugal esgota na terça-feira os recursos disponíveis para este ano, passando a consumir recursos que só deviam ser usados em 2025, indicam dados da organização internacional “Global Footprint Network”.

Os dados são também divulgados esta segunda-feira pela associação ambientalista portuguesa Zero, que destaca que se cada pessoa no planeta vivesse como uma pessoa média portuguesa, a humanidade exigiria cerca de 2,9 planetas para sustentar a sua utilização de recursos.

Mas a associação refere também que Portugal atrasou em três semanas o dia em que passa a usar o “cartão de crédito”, visto que no ano passado esgotou os recursos em 7 de maio.

Porém, explica a Zero, o recuo no impacto da pegada ecológica por comparação com 2023 resulta do facto de algumas das variáveis utilizadas para contabilização dos consumos serem relativas a 2020 e nesse ano a pandemia de covid-19 levou a uma paragem generalizada da atividade económica a partir de março.

Se os cálculos implicassem uma situação real, o que acontecia a partir de terça-feira era que a área produtiva disponível para regenerar recursos e absorver resíduos esgotava-se.

A Zero salienta em comunicado que Portugal é já há muitos anos deficitário na capacidade de fornecer os recursos naturais necessários às atividades desenvolvidas (produção e consumo). Mas sublinha uma tendência positiva de uma pequena redução da “dívida ambiental”.

O consumo de alimentos, (30% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) estão, assinala a Zero, entre as atividades que mais contribuem para a pegada ecológica de Portugal.

Como evitar a "dívida ambiental"

A associação sugere medidas para melhorar a situação, como a aposta numa agricultura que dê preferência a alimentos de qualidade, preservação dos solos, redução da poluição e do uso de água e valorização dos ecossistemas.

E que se aposte mais no teletrabalho eliminando viagens, especialmente de avião, que se invista em estruturas que permitam a utilização dos chamados “transportes suaves”, como a bicicleta, e se regulamente para que os produtos colocados no mercado sejam sustentáveis (qualidade, possibilidade de reparar, de reutilizar e de reciclar).

Cada português pode fazer recuar mais o dia em que se esgotam os recursos se reduzir o consumo de proteína animal (atualmente consome três vezes mais do que era desejável), se privilegiar os transportes coletivos e a mobilidade suave, e se consumir de forma mais circular, tendo menos e de melhor qualidade em vez do comum “usar e deitar fora”.

A Pegada Ecológica avalia as necessidades humanas de recursos renováveis e serviços essenciais e compara-as com a capacidade da Terra para fornecer tais recursos e serviços (biocapacidade).

No cálculo para determinar o dia da sobrecarga do planeta a “Global Footprint Network” colocou a União Europeia a esgotar os recursos que lhe eram destinados em 3 de maio.

Mas o país que primeiro esgotou os recursos foi o Qatar, logo em 11 de fevereiro, seguindo-se o Luxemburgo, no dia 20, os Emirados Árabes Unidos, em 4 de março, e os Estados Unidos, em 14 de março.

Os últimos países a esgotar os seus recursos serão o Equador e a Indonésia, em 24 de novembro, o Iraque em 15 e a Jamaica em 12.

Contabilizando os dados de todos os países a organização calcula o dia em que os recursos do planeta para o ano são gastos, passando a viver de recursos que só deveria usar no próximo ano. Em 2023 esgotaram-se em 2 de agosto.

No próximo dia 5 será anunciada a data em que os recursos da Terra para 2024 se esgotam.

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