Informado em todas as frentes, sem interrupções?
TORNE-SE PREMIUM

Mais de um terço da população deste território pediu para abandonar o país

CNN , Angus Watson
12 jul 2025, 18:00
Tuvalu

Mais de um terço dos habitantes de Tuvalu candidatou-se para emigrar para a Austrália, ao abrigo de um programa de vistos pioneiro criado para ajudar populações ameaçadas pela subida do nível do mar.

Este pequeno Estado insular – situado sensivelmente a meio caminho entre o Havai e a Austrália – conta com cerca de 10.000 pessoas, segundo os dados mais recentes, espalhadas por um conjunto de ilhéus no Pacífico Sul.

Sem qualquer ponto do território acima dos seis metros de altitude, Tuvalu é um dos locais mais expostos do mundo aos efeitos das alterações climáticas.

A 16 de junho, a Austrália abriu um período de candidaturas de cerca de um mês para um novo regime de vistos, descrito como único a nível mundial e justificado pelas ameaças climáticas. Ao abrigo deste sistema, serão aceites 280 pessoas, escolhidas por sorteio aleatório entre julho deste ano e janeiro de 2026. Os beneficiários receberão residência permanente à chegada, com direito a trabalhar e a aceder aos sistemas públicos de saúde e educação.

Mais de 4.000 pessoas apresentaram candidatura, segundo dados oficiais consultados pela CNN.

“A abertura do Falepili Mobility Pathway concretiza a nossa visão partilhada de mobilidade com dignidade, ao proporcionar aos tuvaluanos a oportunidade de viver, estudar e trabalhar na Austrália à medida que os impactos climáticos se agravam”, afirmou a ministra australiana dos Negócios Estrangeiros, Penny Wong.

A CNN contactou o governo de Tuvalu.

De acordo com o primeiro-ministro Feleti Teo, mais de metade do território nacional será regularmente afetado por marés até 2050. Em 2100, 90% do país poderá estar completamente submerso, alerta.

Fongafale, a capital, é o maior e mais povoado ilhéu do atol principal, Funafuti. Nalguns pontos, tem apenas 20 metros de largura, uma estreita faixa de terra entre o oceano e o céu.

“Imagine-se no meu lugar, como primeiro-ministro de Tuvalu, a tentar planear o desenvolvimento e garantir os serviços básicos à população, enquanto nos confrontamos com previsões tão duras quanto perturbadoras”, disse Teo este mês na Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, em Nice.

“A deslocação interna não é uma opção. O país é completamente plano. Não há terreno elevado para onde possamos fugir”, afirmou a 12 de junho.

Vista aérea de casas junto ao Oceano Pacífico, em Funafuti, Tuvalu, a 28 de novembro de 2019. Mario Tama/Getty Images

O programa de vistos faz parte de um pacto mais alargado, assinado entre Tuvalu e a Austrália em 2023, que vincula Camberra à defesa do país, tanto militarmente como face à subida do mar.

Tuvalu, que é composto por 900 mil quilómetros quadrados a sul do Oceano Pacífico, é considerado pelas autoridades australianas um parceiro estratégico crucial na disputa de influência com a China na região.

O tratado assinado entre os dois países garante que, mesmo que o território físico deixe de ser habitável, a soberania de Tuvalu será mantida: “O estatuto de Estado e a soberania de Tuvalu continuarão a existir, e os direitos e deveres daí decorrentes serão preservados, independentemente do impacto da subida do nível do mar provocada pelas alterações climáticas.”

Em 2022, na COP27 no Egipto, Tuvalu anunciou a intenção de se tornar o primeiro país do mundo a transferir-se totalmente para o espaço digital. O governo já elaborou um plano para recriar digitalmente o território, preservar a história e a cultura nacionais e transferir as funções governativas para uma plataforma virtual. A Austrália reconhece oficialmente essa “soberania digital”, que Tuvalu espera que lhe permita manter a identidade e funcionar como Estado, mesmo sem terra firme.

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou no ano passado que o seu país partilha uma visão de “uma região pacífica, estável, próspera e unida”.

“Mostramos aos nossos parceiros do Pacífico que podem contar com a Austrália como um aliado genuíno e de confiança.”

O apoio australiano à ilhacontrasta com a posição da administração do presidente norte-americano Donald Trump, que tem apostado em restrições severas à imigração e ao combate às alterações climáticas.

Segundo a Associated Press, Tuvalu está entre os 36 países que os Estados Unidos ponderam incluir numa nova lista de restrições de entrada. Atualmente, 12 países enfrentam proibições totais, incluindo o Irão, o Iémen e a Somália, e outros sete têm limitações parciais.

As nações da lista, incluindo os vizinhos Tonga e Vanuatu, foram instadas a reforçar os mecanismos de controlo de viajantes e a cooperar na resolução da situação dos seus cidadãos em situação irregular nos EUA.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Viagens

Mais Viagens

Na SELFIE