Embora o suspeito tenha sido encontrado morto, continuam por esclarecer várias questões relacionadas com o incidente e o respetivo motivo
O suspeito do tiroteio na Universidade de Brown frequentou a instituição durante três semestres como estudante de pós-graduação e não tinha qualquer ligação ativa à universidade no momento do ataque ocorrido no sábado, avança a CNN, que cita um comunicado da presidente Christina H. Paxson.
“Não era estudante atual, não era funcionário e não obteve qualquer grau académico pela Universidade, tendo frequentado apenas três semestres. Neves Valente foi admitido na Escola de Pós-Graduação de Brown para estudar no programa Sc.M–PhD em Física”, refere o comunicado, acrescentando que o suspeito esteve inscrito do outono de 2000 à primavera de 2001.
Posteriormente, pediu licença de ausência e retirou-se formalmente da universidade com efeitos a 31 de julho de 2003.
“Durante o seu tempo em Brown, Neves Valente esteve inscrito apenas em cadeiras de física, sendo provável que tenha frequentado aulas e passado tempo no edifício Barus & Holley. Nada pode encerrar plenamente as vidas que foram destroçadas pela violência armada do passado fim de semana. Agora, no entanto, a nossa comunidade tem a oportunidade de seguir em frente e iniciar um caminho de reparação, recuperação e cura”, acrescentou Paxson, referindo-se ao edifício onde ocorreu o tiroteio.
Segundo os procuradores, o suspeito do tiroteio na Universidade de Brown só foi associado ao homicídio de um professor do MIT vários dias depois, por ser “sofisticado a ocultar os seus rastos”.
Ao que a CNN Portugal apurou, Cláudio Neves Valente trabalhou como monitor no Instituto Superior Técnico, tendo o seu contrato sido rescindido pelo presidente João Hipólito a 29 de fevereiro de 2000.
Antes disso, estudou no IST, conforme confirmou a instituição académica em comunicado, tendo frequentado parte do ensino obrigatório em Torres Novas.
“Sobre Cláudio Manuel Neves Valente, apenas conseguimos confirmar que foi estudante do Técnico, do curso de licenciatura em Engenharia Física Tecnológica, entre 1995 e 2000. Nuno Loureiro fez o curso no mesmo período”, lê-se no comunicado enviado às redações onde referem que não comentam "investigações policiais em curso e assuntos do foro da justiça".
Nascido 22 de janeiro de 1977 no Entroncamento, obteve o estatuto de residente permanente legal nos EUA, em 2017. A sua última morada conhecida era em Miami.
"Porquê a Brown? Porquê estes estudantes?"
Cláudio Neves Valente, identificado pela polícia como suspeito em ambos os crimes, terá utilizado um telemóvel não rastreável e evitado usar cartões de crédito em seu nome, afirmou a procuradora dos Estados Unidos para o Distrito de Massachusetts, Leah Foley.
Os investigadores suspeitam que Neves Valente possa ter recorrido a cartões SIM europeus através de um fornecedor europeu, o que dificultou o rastreamento da sua localização em tempo real.
Embora o suspeito tenha sido encontrado morto, o procurador-geral de Rhode Island diz que continuam por esclarecer várias questões relacionadas com o incidente e o respetivo motivo.
A razão pela qual a Universidade de Brown, em particular, foi alvo do ataque “é um mistério”, afirmou o procurador-geral de Rhode Island, Peter Neronha, em conferência de imprensa.
“Não creio que tenhamos qualquer ideia do porquê agora ou do porquê. Porquê a Brown? Porquê estes estudantes? Porquê esta sala de aula? Isso é algo que nos é totalmente desconhecido e pode vir a ficar claro. Espero que fique, mas neste momento ainda não aconteceu”, afirmou.
As autoridades adiantaram ainda que não têm "conhecimento de qualquer registo criminal nos Estados Unidos”.