O The New York Times falou com dois antigos estudantes de física da Brown University que partilharam o curso com o português
Enquanto as autoridades procuram mais informações sobre as motivações de Cláudio Valente, o suspeito do tiroteio na Brown University e do assassínio de Nuno Loureiro, mais detalhes vão surgindo acerca do alegado assassino.
Ao The New York Times, Scott Watson, professor de Física na Universidade de Syracuse, em Nova Iorque, descreve-se como o “único amigo” de Cláudio Valente durante o curto tempo em que este frequentou a Universidade Brown, entre 2000 e 2001. Watson diz que Valente estava “frequentemente infeliz”, e por vezes mesmo “zangado”, queixando-se da comida do campus da faculdade e da pouca dificuldade das aulas.
Watson afirma também que ambos costumavam comer num restaurante português, e refere que Cláudio Valente era inteligente e poderia ser, por vezes, “bondoso e gentil”, mas também um “bully”, tendo mesmo uma vez chamado um seu colega brasileiro de “escravo”. “Uma vez tive de separar uma luta”, referiu.
O NYT recolheu também o testemunho de Luk Chong Yeung, antiga estudante brasileira da Brown, que estava no ano acima de Cláudio Valente. Yeung, que conviveu com o suspeito num grupo de estudantes lusófonos, descreve Cláudio como introvertido e menciona que estava a enfrentar dificuldades no seu percurso académico. “Era apenas um pouco mais distante”, afirma.
Uma mensagem misteriosa
O NYT alega também ter descoberto, salientando que a informação carece de confirmação independente, uma publicação de Cláudio Valente num fórum de estudantes de física da Brown após ter abandonado a universidade, em maio de 2001.
“Devido à enorme procura popular, escrevi algo nesta página. !?! ESTÃO FELIZES AGORA!?!”, pode ler-se na mensagem, em que, alegadamente, Cláudio anuncia que abandonou a Brown de forma permanente. A publicação termina com uma mensagem misteriosa em português: “O melhor mentiroso é aquele que se consegue enganar a si próprio. Estes existem por toda a parte, mas por vezes proliferam nos locais mais inesperados”.