Este já é o ano mais mortífero desde 2016 para palestinianos na Cisjordânia

Agência Lusa , NM
29 ago, 20:41
Manifestações na Palestina contra ocupações israelitas

De acordo com Israel, a maioria das vítimas mortais são militantes ou atiradores de pedras que puseram em perigo os soldados israelita

Pelo menos 85 palestinianos foram mortos na Cisjordânia em 2022, o ano mais mortífero no território ocupado desde 2016, numa altura em que aumentaram as rusgas noturnas das forças israelitas em cidades, vilas e aldeias.

Segundo os militares de Israel, a maioria das vítimas mortais são militantes ou atiradores de pedras que puseram em perigo os soldados israelitas, mas de acordo com o Ministério de Saúde palestiniano a contagem inclui indivíduos que levaram a cabo ataques mortais dentro de Israel e também vários civis.

Entre os civis que foram alvo de ataques, destaca-se Shireen Abu Akleh (jornalista da Al Jazeera), um advogado e várias mulheres e jovens com menos de 18 anos.

Israel também deteve até à data mais de 600 palestinianos sem acusação ou julgamento, o nível de detenções do tipo mais elevado desde há seis anos.

Segundo Amir Avivi, general israelita dirigente do Fórum de Defesa e Segurança de Israel, o ritmo acelerado das operações israelitas decorre da recente vaga de ataques e da recusa da Autoridade Palestiniana em reprimir os seus militantes.

“As forças israelitas operam sempre com base em informações muito precisas” e "apenas para prender terroristas que sabemos estarem envolvidos no terror ou que planeiam atacar israelitas”, defendeu Avivi.

Alguns grupos humanitários defendem que enquanto algumas missões israelitas têm como objetivo combater ameaças específicas, outras destinam-se apenas a demonstrar a força e domínio de Israel.

Ori Givati, diretor da Breaking the Silence, organização israelita contra a ocupação da Cisjordânia, afirma que antigos soldados israelitas efetuam detenções simuladas ou provocações contra os palestinianos, na esperança de atrair atiradores de pedras ou atiradores, para os prender e confrontar.

Israel assegura também que são investigados todos os casos de vítimas civis resultantes de ataques israelitas, mas as ONG argumentam que as mesmas investigações são abafadas e os soldados israelitas raramente enfrentam repercussões.

Registaram-se, no entanto, duas exceções na morte de dois cidadãos palestinianos com nacionalidade norte-americana: oficiais superiores israelitas foram repreendidos e destituídos de funções de liderança pelo assassinato da jornalista Abu Akleh e de Omar Assad.

Por outro lado, quando Salah Sawafta foi alvejado ao regressar das orações de madrugada na cidade de Tubas não se verificou a mesma justiça, tendo em conta que o caso foi encerrado com a alegação de que o palestiniano teria sido alvo de “uma bala perdida”.

A duração e a frequência das incursões fizeram com que as táticas de Israel se concentrassem na Cisjordânia, onde quase 3 milhões de palestinianos vivem sob uma ocupação de décadas e veem a presença dos militares israelitas como uma humilhação e ameaça.

Na Cisjordânia desde 1967, as tropas de Israel dizem estar a desmantelar redes militares que ameaçam os seus cidadãos e que fazem todos os esforços para evitar prejudicar civis.

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