CIP apresenta ao Governo medidas para tornar os "portugueses prósperos"

Agência Lusa
21 mai, 13:54
Armindo Monteiro, presidente da CIP (António Cotrim/Lusa)

"Se nós não crescermos, não é possível pagar melhores salários", defende Armindo Monteiro

O presidente da CIP, Armindo Monteiro, apresentou esta terça-feira, numa reunião com o primeiro-ministro, um conjunto de medidas para uma economia de maior valor acrescentando que é necessário para que a economia “dê mais para todos”.

“As propostas que trouxemos fazem parte de um conjunto de propostas na área da economia e com satisfação vimos que o Governo tem, não apenas no seu programa, mas agora verbalizado pelo primeiro-ministro, a mesma preocupação no sentido de tornar não empresas prósperas, mas portugueses prósperos”, afirmou Armindo Monteiro à saída de uma reunião com Luís Montenegro.

O presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, encontrou-se esta manhã com o chefe do Governo português na Residência Oficial do primeiro-ministro, em Lisboa.

“O compromisso da CIP é efetivamente tornar uma economia que seja de maior valor acrescentado. Isso significa poder pagar melhores salários. Se nós não crescermos, não é possível pagar melhores salários”, acrescentou o presidente da confederação empresarial.

Armindo Monteiro admitiu que a transformação não poderá ser feita de imediato, mas que “é preciso marcar o caminho para lá chegar”.

Nesse sentido, apontou que os empresários pretendem aumentar salários, mas que esses aumentos “não podem resultar de uma vontade unilateral”.

Para o responsável da CIP, a subida dos salários através do crescimento económico é “a única forma” de haver “uma economia sustentável”.

Entre as medidas propostas pelos empresários está a redução do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas (IRC), que tem sido defendida nos últimos meses.

No seu programa de Governo, a AD propõe uma redução do IRC de 21% para 15%, ao ritmo de 2 pontos percentuais por ano, a eliminação gradual da progressividade da derrama estadual e a eliminação gradual da derrama municipal, assegurando, no caso desta última, “a compensação através do Orçamento do Estado da perda de receita para os municípios”.

Questionado sobre uma convergência entre a CIP e o atual Governo neste aspeto, Armindo Monteiro apontou que é “uma variável importante”.

“A questão do IRC é importante porque nós não vivemos sozinhos no mercado, nem na Europa, nem no mundo”, afirmou, acrescentando que a atual estrutura fiscal em Portugal, aliada à burocracia, pode limitar investimento estrangeiro no país.

“Nós termos uma taxa de tributação mais elevada que pulmões económicos, como é a Alemanha, ou a França, ou a Bélgica, ou aqui ao lado, Espanha, não faz sentido nenhum. Há investimentos que nós podíamos estar a atrair e não estamos a fazer, porque, precisamente, a tributação sobre os rendimentos das empresas é maior que em qualquer parte da Europa”, lamentou.

Quanto à dimensão burocrática, o ‘patrão’ da CIP pediu que Portugal tenha “a capacidade de um Estado mais simples”, porque “um investimento que hoje seja viável, amanhã não pode ser”.

“Se não houver esta capacidade de um Estado mais simples – e quando dizemos mais simples não é com menos escrutínio, é mais simples, que tenha procedimentos mais simples, seja para realizar investimento, seja para outras atividades que envolvem as famílias ou que envolvem as empresas –, nós, naturalmente, não conseguimos atrair investimento”, sublinhou.

Armindo Monteiro expressou que esta transformação económica deve ser algo que “dê mais para todos” e não num regime de substituição.

“Esta ideia de uma substituição nula, ou seja, para alguém ganhar, alguém tem que perder, é algo que é próprio da Revolução Industrial, não é próprio do século XXI, como nós estamos”, vincou.

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