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26 jun 2025, 06:00
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A cimeira da NATO, os Estados Unidos, os aliados e a guerra na Ucrânia

Uma grande encenação tomou conta da cimeira da NATO, a primeira desde o início da invasão em que o tema da Ucrânia foi secundarizado perante o apetite voraz do gigante americano, sedento de acertar contas com os europeus para estes pagarem o que “devem” pela defesa coletiva - um grito de guerra antigo (e legítimo) de Donald Trump e um compromisso igualmente longínquo, já firmado entre os aliados ainda antes da anexação da Crimeia e da questão ucraniana. A peça, encenada por um Secretário-Geral, em personagem de mestre de cerimónias com uma única missão, a da operação de charme talhada à medida do chefe: na curta duração, no excesso de deferência, num acordo já pronto a assinar e já pronto a anunciar para dizer o seguinte: com Trump, esta América consegue exactamente o que quer.

A Europa da falta de alternativas de segurança que a própria descurou, excessivamente confiante da imutabilidade dos Estados Unidos, conformou-se: não provocar antagonismos, engolir a chapa 5% e, nas palavras de Rutte, “pagar à grande”. No dinheiro europeu, Trump sabe que este vai continuar a comprar americano. E, assim, mais umas vendas incalculáveis aue dizem o seguinte: esta América consegue exactamente o que quer. 

A ironia é que, mesmo nesta encenação, a cimeira de Haia conseguiu escrever, porventura, a mensagem mais assertiva de todas as cimeiras da era Ucrânia: perante a máquina de guerra russa, os europeus vão começar finalmente a gastar onde sempre juraram e prometeram que iriam gastar desde que o conflito estalou. Demorou quase quatro anos. No entanto, apesar dos sorrisos e do otimismo de líderes estranhamente entusiasmados com o compromisso de comprar mais armamento, a outra ironia de Haia é que continua sem responder à grande interrogação: o que farão os Estados Unidos se Putin atacar diretamente um Estado-Membro da NATO, como o próprio admitiu com toda a naturalidade? O que acontecerá, como questionavam recentemente os franceses da revista L’Express, se Putin quiser instrumentalizar 35% da população de origem russa que vive na Letónia, replicando o modelo Donbass? Ou se tentar abocanhar a pequena vila fronteiriça de Narva, na Estónia? Ou ainda se atingir o porto lituano de Klaipeda no Báltico, mesmo à distância de Kaliningrado, esse enclave cravado por cima da Polónia? Ou também mais atos de sabotagem, mais gravosos, como as duas centenas de atividades russas já registadas em territórios NATO desde 2022? O que fará então Trump, um já conhecido não-crítico de Putin, se esse dia chegar?

Mas enfim. Que interessa tudo isso agora. 

Dá cá mais 5. 

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