opinião
Analista de Segurança e Defesa
A ARTE DA GUERRA

O crime organizado no epicentro do comércio ilegal de cigarros e vapes no Brasil

9 jun 2025, 15:00

O comércio ilegal de cigarros e, mais recentemente, de cigarros eletrônicos (vapes) no Brasil, revela uma intrincada teia onde o crime organizado desempenha um papel central e cada vez mais dominante. Longe de ser uma atividade isolada, essa engrenagem ilícita se conecta profundamente com outras formas de criminalidade, financiando facções e exercendo controle territorial em diversas regiões do país.

A venda ilegal desses produtos, especialmente em grandes centros urbanos, frequentemente envolve menores de idade, atuando abertamente em áreas de grande circulação. Relatos indicam que esses jovens vendedores são, em muitos casos, submetidos à extorsão por facções criminosas, que exigem o pagamento de taxas para permitir a operação em determinados territórios. Essa dinâmica demonstra a capilaridade e o controle que o crime organizado exerce sobre o comércio informal, transformando-o em fonte de receita.

A análise das apreensões realizadas pelas forças de segurança também lança luz sobre o envolvimento de facções no comércio ilegal de vapes. A maior apreensão de cigarros eletrônicos registrada em um grande estado do sudeste brasileiro ocorreu em uma área dominada por uma facção criminosa notória. Esse fato sugere que o controle sobre a distribuição e a venda desses produtos já está consolidado nas mãos do crime organizado em algumas regiões.

A logística do contrabando, tanto de cigarros quanto de vapes, muitas vezes se entrelaça com o tráfico de drogas e armas. Grandes carregamentos apreendidos indicam que esses produtos ilícitos compartilham rotas e métodos de transporte, sugerindo uma coordenação entre diferentes atividades criminosas. A presença de grandes facções no controle do atacado desses produtos reforça essa conexão, utilizando a mesma infraestrutura para a movimentação de diversos bens ilícitos.

Em comunidades carentes, o domínio das facções sobre o comércio ilegal se manifesta de forma ainda mais explícita. Há relatos de que essas organizações estabelecem um verdadeiro monopólio sobre a venda de determinados produtos, incluindo cigarros e vapes, controlando preços e a variedade disponível. Essa imposição territorial sufoca o comércio legal e fortalece o poderio econômico das facções dentro dessas comunidades.

A percepção das facções sobre a lucratividade e a relativa facilidade de transporte e aceitação social do comércio ilegal de cigarros e vapes contribui para o seu crescente envolvimento. A analogia com o jogo do bicho, uma atividade ilegal amplamente tolerada socialmente, ilustra como a falta de uma repressão contundente e uma certa permissividade podem encorajar a expansão dessas atividades criminosas.

Em suma, o comércio ilegal de cigarros e vapes no Brasil não é uma atividade marginal isolada. Ele está intrinsecamente ligado ao crime organizado, financiando facções, exercendo controle territorial e se conectando com outras atividades ilícitas. A capilaridade dessas redes criminosas, desde a extorsão de pequenos vendedores até o controle de grandes carregamentos, demonstra a urgência de uma abordagem integrada e eficaz para desarticular essa teia criminosa e mitigar seus impactos na segurança pública e na sociedade como um todo.

*Fernando Montenegro escreve a sua opinião em Português do Brasil

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