Para este estudo, os investigadores analisaram 162 amostras retiradas de pacientes com cancro, centrando a análise nos lípidos
Um grupo de cientistas descobriu uma potencial ligação entre os alimentos ultraprocessados e o risco de desenvolvimento de cancro colorretal. O estudo foi publicado na revista científica Gut esta terça-feira.
"O cancro é como uma ferida crónica que não cicatriza. Se o nosso corpo vive de alimentos ultraprocessados, a sua capacidade de curar a ferida diminui devido à inflamação e à supressão do sistema imunitário que, em última análise, permite que o cancro cresça”, afirma Timothy Yeatman, coautor do estudo e professor de cirurgia na Universidade do Sul da Florida, citado pelo jornal britânico.
Para este estudo, os investigadores analisaram 162 amostras retiradas de pacientes com cancro, centrando a análise nos lípidos. As amostras, escreve o Financial Times, continham níveis mais elevados de lípidos que causam inflamação e são comuns em alimentos ultraprocessados do que no tecido saudável adjacente aos tumores.
Yeatman diz que este estudo permite concluir que os lípidos, tendo em conta o consumo de alimentos ultraprocessados no EUA, são decorrentes do consumo destes produtos.
Os investigadores observaram também que os lípidos que ajudariam a reduzir a inflamação, como aqueles presentes no peixe, não existiam nas amostras.
O cancro colorretal é o terceiro mais comum no mundo. Em 2022, de acordo com a OMS, foi responsável por 900 mil mortes em 185 países.