Para participar no estudo é preciso responder a duas perguntas sobre hábitos saudáveis todos os dias, durante 30 dias
O treino de resistência pode ajudar-me a dormir melhor. Criar incentivos ajuda-me a fazer mais exercício. Boas amizades contribuem para que viva durante mais tempo.
Passo grande parte dos meus dias a escrever sobre novas descobertas científicas na área da saúde e do bem-estar, avaliadas por especialistas externos, que geralmente incluem conselhos sobre como viver melhor.
Mas, desta vez, não tenho resultados para oferecer – são os leitores quem os tem.
Investigadores da University of Pennsylvania e da University of Alberta estão à procura de um grande grupo de participantes para um novo estudo. Uma vez que a CNN faz a cobertura de tantos estudos como este, os investigadores esperam que os leitores queiram participar. Da nossa parte, prometemos acompanhar tudo, relatando o processo de investigação desde o início.
Tudo o que é necessário fazer é responder a um questionário diário no site da equipa de investigação para avaliar o que o leitor da CNN sabe sobre hábitos saudáveis. Para tal, têm de se registar-se no questionário no site dos investigadores. [Nota: em Portugal, não pode participar, dados os critérios de seleção que vão ser explicados adiante].
“Esta é uma verdadeira oportunidade para que as pessoas contribuam para a investigação, aderindo ao nosso site”, afirma Katie Mehr, investigadora principal, que é professora assistente de marketing na University of Alberta. “Após concluirmos o estudo e analisarmos todos os dados, vamos partilhar as nossas conclusões com os leitores”.
O questionário assenta em apenas duas perguntas, que têm de ser respondidas todos os dias, durante 30 dias. Foram concebidas para ajudar os participantes a aprender mais sobre o seu bem-estar de uma forma rápida, fácil e divertida. A investigação exige que os participantes tenham mais de 18 anos, sejam residentes nos EUA e tenham um número de telefone dos EUA que possa receber mensagens de texto.
Os investigadores não podem revelar, com exatidão, que questões estão a investigar, uma vez que tal poderia comprometer os resultados finais. Contudo, a equipa do estudo espera que esta experiência seja uma forma de envolver as pessoas com a ciência, revelando que tipo de respostas têm as questões sobre o comportamento humano, refere Mehr.
«Por vezes, surgem questões em que, se pudéssemos reunir uma grande amostra de pessoas que lidam com isso nas suas vidas, envolvendo-as na atividade científica, podíamos aprender muito” refere Katy Milkman, investigadora comportamental e professora da Wharton School da University of Pennsylvania. “Muitas vezes, é difícil descobrir onde encontrar essas pessoas”.
Este estudo, diz, é “uma oportunidade divertida para as pessoas fazerem parte de algo que estão constantemente a ler… e de fazerem parte das notícias. Vão mudar as notícias como cidadãos cientistas”.
O que ganham os participantes?
Um primeiro e importante passo para uma vida mais saudável passa por nos concentrarmos em comportamentos que realmente podem ajudar a alcançá-la, aponta Milkman. Tal torna-se particularmente verdadeiro numa época em que a ciência está longe do seu auge de popularidade e em que os influenciadores costumam partilhar informações não confirmadas por investigações.
Algo que talvez não saiba: as investigações sugerem que a dieta mediterrânica é uma das formas mais saudáveis de nos alimentarmos. Contudo, há influenciadores a defender que a chave para a longevidade passa por cortar os hidratos de carbono e comer apenas carne vermelha.
Se definir uma meta para melhorar a sua alimentação, mas não tiver as informações certas para guiá-lo no melhor caminho, poderá estar a trabalhar contra si próprio, avisa Milkman.
Até pode pensar que sabe o que é preciso para atingir os seus objetivos de saúde e que está pura e simplesmente com dificuldades para colocar essa mudança em prática, refere Milkman. Contudo, os futuros resultados deste estudo – e de outros estudos científicos - poderão ajudá-lo a fazer um trabalho ainda melhor para melhorar a sua saúde e aumentar a sua longevidade.
Tenha objetivos concretos
Após obter informações sobre o modo como pode melhorar a sua saúde, o passo seguinte passa por definir um objetivo, clarifica Milkman.
A maioria das pessoas admitiria que gostava de ser mais saudável. Mas, para ser eficaz, é preciso ter objetivos concretos. Por exemplo, mais uma hora de sono por noite ou duas sessões de treino de força por semana.
Se o que quer é uma alimentação mais equilibrada, defina um objetivo com o tipo de alimentos que deseja incorporar. Em seguida, faça um plano realista que preveja o número de refeições ou quantos dias por semana irá incorporar esses alimentos na sua rotina, aponta Milkman.
“O ideal é que esses objetivos incluam mesmo o quando, o onde e o como irá fazer para chegar lá”, refere.
Seguir em frente com os seus planos
Há muitas pessoas que acabam por tropeçar na hora de colocar os seus planos em marcha. Por isso, é fundamental usar estratégias para se manter no caminho certo, aconselha Milkman.
Na sua investigação, Milkman apurou que encontrar formas de tornar o comportamento que estamos a tentar incorporar na nossa vida algo que é imediatamente gratificante, recompensador e divertido pode ajudar-nos a desejá-lo, em vez de desenvolvermos sentimentos de receio.
“Muitas vezes focamo-nos demasiado nos resultados a longo prazo”, reitera.
Um dos métodos passa por agrupar tentações. Ou seja, associa o seu comportamento-objetivo a uma atividade que gosta. Por exemplo, assistir o seu programa de televisão favorito enquanto faz exercício na elíptica, sugere Milkman.
“Assim, em vez de temer o meu treino, tenho um motivo para desejá-lo”, refere.
Transformar o seu comportamento-objetivo num momento de sociabilização também pode ajudar-nos a mantê-lo, junta Milkman. As pessoas terão mais vontade de ir ao ginásio às 15:00 se tiverem um encontro marcado com um amigo lá ou se souberem que haverá alguém com quem conversar, o que lhes permite manter a motivação.
Sincronizar a definição de metas com um momento em que sinta haver uma “mudança de capítulo” também pode ser útil. Esses momentos incluem o ano novo, um aniversário ou o início do ano letivo, aponta Mehr.
“Estes novos começos tendem a ser momentos em que estamos mais dispostos a dar um passo atrás e a pensar no panorama geral”, resume Milkman. “O outono é um momento de recomeço”.