Ciclista português da UAE Emirates elogia prestação do compatriota, que em 2026 foi sexto na geral e venceu a camisola branca
A exibição na Volta a Itália de Afonso Eulálio não surpreendeu João Almeida, que considera que quantos mais ciclistas portugueses estiveram no foco mediático melhor, elogiando a capacidade de agarrar as oportunidades do seu compatriota.
«Foi um Giro fixe de se ver», resumiu à agência Lusa o terceiro classificado da edição de 2023 da Corsa Rosa, admitindo que, caso estivesse presente, poderia ter dado «mais emoção» à luta pela geral, confortavelmente vencida por Jonas Vingegaard.
Apesar de ter falhado a 109.ª Volta a Itália, na qual era o grande favorito a contrariar o domínio do dinamarquês da Visma-Lease a Bike, João Almeida foi acompanhando a prova, nomeadamente «as etapas mais interessantes», e pôde observar como Afonso Eulálio lhe seguia os passos.
Seis anos depois de ter liderado o Giro durante 15 dias, dando-se a conhecer ao mundo, o corredor da UAE Emirates viu o figueirense de 24 anos tornar-se no segundo ciclista nacional que mais tempo vestiu a Maglia Rosa (nove etapas), imitando-o também na conquista da camisola da juventude que levou para casa em 2023.
«Foi bom para Portugal ter alguém para acompanhar e tentar meter também o país em destaque. Acho que ele usufruiu muito bem da oportunidade que teve. Aquela fuga [na quinta etapa] com uma vantagem gigante, de sete ou oito minutos, foi quase uma garantia para um resultado na geral. E ele soube aproveitar isso. E depois, a camisa branca também foi muito positivo», destacou.
O segundo melhor voltista português de sempre - é superado apenas pelo "gigante" Joaquim Agostinho - garantiu à Lusa não ter ficado surpreendido com a prestação de Eulálio, pois sabe que o corredor da Bahrain Victorious «tem valor» e «é muito bom».
Curiosamente, também o figueirense o tinha elogiado na manhã de quinta-feira, numa videoconferência em que rejeitou comparações com Almeida por este ser «um dos melhores ciclistas de sempre, não só de Portugal».
«Agradeço-lhe pelas palavras e pelo gesto. É tudo uma questão também de evolução, e de irmos passo a passo evoluindo. E certamente ele continuará a evoluir», afirmou Almeida, referindo-se ao sexto classificado do 109.º Giro.
Questionado sobre se temeu perder o seu recorde luso de dias vestido de rosa, o vice-campeão da Vuelta 2025 e quarto classificado do Tour 2024 assegurou que não é algo que o preocupe.
«Acho que se ele batesse o meu recorde, ia disputar a corrida, o pódio. E, neste momento, acho que seria algo bastante difícil de acontecer. Se o meu recorde for batido é bom sinal, de que o país continua a ter bons corredores e continua a estar no mapa. Ficaria feliz», pontuou.
Almeida tem "carregado" o peso da representação do ciclismo português lá fora praticamente sozinho e só vê com bons olhos o facto de haver um novo nome a despontar.
«Eu não sou alguém que queira estar no foco dos media, dos jornais, e ser o único que tem sucesso. Acho que é positivo, quantos mais melhor», defendeu.
