Ciclismo: Inspetor da PJ e Adriano Quintanilha julgados no caso da W52-FC Porto

8 jun, 18:25
W52-FC Porto
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Inspetor e patrão da antiga W52-FC Porto começam a ser julgados em outubro

Um inspetor da Polícia Judiciária (PJ) e Adriano Quintanilha, patrão da antiga W52-FC Porto, começam a ser julgados em outubro por traçarem um plano para que o empresário não fosse incriminado no esquema de doping da equipa de ciclismo.

O julgamento decorrerá no dia 7 de outubro, às 10h, no Tribunal de Felgueiras, no distrito do Porto. 

A acusação do Ministério Público refere que Adriano Sousa, conhecido como Adriano Quintanilha, e o inspetor da PJ «decidiram criar» um Código de Conduta falso, com o intuito de provar que o patrão da equipa de ciclismo e a Associação Calvário Várzea, que esteve na origem da W52-FC Porto e da qual Quintanilha era presidente, desconheciam o esquema de doping em investigação no processo Prova Limpa.

Posteriormente, o documento foi entregue aos ciclistas e ao então diretor da equipa, Nuno Ribeiro, para que estes assinassem, com o intuito de distanciar Adriano Quintanilha e a Associação «da então indiciada conduta do diretor desportivo da equipa e dos seus ciclistas».

«O arguido Adriano Sousa, alarmado com as consequências penais e disciplinares que aquelas condutas acarretariam para si e para a Associação sua representada, decidiu delinear um plano que visasse eximi-lo, a si e à Associação, de qualquer eventual responsabilidade dos factos em investigação naquele processo», afirma a acusação.

Segundo o MP, o empresário contactou «o seu amigo, que sabia ser inspetor da Polícia Judiciária, a exercer funções na Diretoria do Norte e que sabia partilhar consigo o mesmo sentimento de apego à equipa W52-FC Porto e ao ciclismo».

Quanto ao inspetor, o Ministério Público refere que «ciente do pretendido pelo arguido, decidiu criar e executar, em conjunto com este, um plano que permitisse alcançar os fins visados» pelo amigo. 

Nesse sentido, os arguidos «decidiram criar um documento que visasse atestar que Adriano Quintanilha e a Associação desconheciam as práticas que estavam em investigação» no processo Prova Limpa «e que por isso nenhuma responsabilidade penal, contraordenacional ou disciplinar lhes podia ser assacada».

Assim, «na concretização do plano delineado e com o propósito de diminuírem as repercussões negativas da existência do processo» para a associação e para Adriano Quintanilha, os dois arguidos «decidiram criar um Código de Conduta com data anterior a abril de 2022», mês em que as buscas e apreensões realizadas na Operação Prova Limpa aconteceram. 

«Decidiram ainda os dois arguidos, que desse documento constariam, em particular, cláusulas cujo conteúdo atestasse que qualquer comportamento do diretor desportivo e dos ciclistas que fosse violador das regras antidopagem teria sido tomado à revelia, contraindicação e com o total desconhecimento da Associação e, consequentemente, do seu presidente, o aqui arguido Adriano Sousa», acrescenta o MP.

De acordo com o MP, Adriano Quintanilha alegou, de forma a convencer Nuno Ribeiro e os ciclistas a assinaram o documento, que «estariam a proteger a equipa de ciclismo, a sua participação enquanto ciclistas da W52-FC Porto e o seu trabalho».

A acusação acrescenta, ainda, que um dos ciclistas assinou o documento porque foi ameaçado por Adriano Quintanilha de que não receberia o ordenado.

A Calvário Várzea, Adriano Quintanilha e o inspetor da PJ estão acusados de falsificação de documento. O empresário de 73 anos também é acusado de coação, enquanto o inspetor está igualmente acusado de favorecimento pessoal.

No processo principal da W52-FC Porto, Adriano Quintanilha e Nuno Ribeiro foram condenados a penas efetivas de quatro anos e nove meses de prisão pelo esquema de doping, tendo ambos recorrido.

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