João Almeida e a Vuelta: «Não ficaria satisfeito com menos do que o pódio»

21 ago 2025, 11:06
João Almeida (via Paris-Nice, X)
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Ciclista da UAE Emirates assume que preparação, depois da queda no Tour, não foi a ideal, mas mantém ambições elevadas para a prova que arranca neste sábado

João Almeida apontou a um lugar do pódio na 80.ª edição da Volta a Espanha, que arranca neste sábado na cidade italiana de Torino.

«Tendo em conta a situação, ponho-me no pódio. Não ficaria satisfeito com menos do que isso, obviamente», referiu o ciclista de A-dos-Francos em declarações à agência Lusa.

Apesar de ter dito que está 100 por cento recuperado de uma fratura na costela que o obrigou a abandonar a Volta a França, João Almeida assumiu que não teve a preparação desejada, mas ainda assim mostrou-se confiante na obtenção de um bom resultado. «Sou dos corredores mais fortes estatisticamente também, de estar ali com os melhores números. Mas acho que a minha situação também é um bocado específica. Tive a queda e estive algum tempo sem andar de bicicleta. Não venho propriamente com a melhor preparação, longe disso. Mas também sei o meu valor, sei que sou um corredor bom e acho que vou estar bem», projetou.

O corredor da UAE Emirates vai participar na Vuelta pela quarta vez na carreira. Foi 5.º em 2022, 9.º em 2023 e abandonou em 2024. Agora, além do pódio, aponta também à vitória de uma etapa naquela que está a ser, aos 27 anos, a melhor temporada da carreira. «Já fiz várias Vueltas, todas com preparações horríveis, que nunca me calham bem. E nunca estive sequer perto disso. Entro sempre nas Vueltas a sentir-me mal e com pouca forma. Acho que, na realidade, é o ano em que me preparei melhor para uma Volta a Espanha. Gostava de ganhar uma etapa e acho que consigo, é apontar bem.»

João Almeida terá forte concorrência na Vuelta, a começar por Jonas Vingegaard, segundo classificado do Tour de France e considerado o principal favorito à vitória final em Madrid no dia 14 de setembro. «Vem de ser segundo no Tour, também é um corredor que para as grandes Voltas está sempre lá. É um dos extraterrestres desta geração, portanto acho que ele é o nome que vou apontar, não vale a pena apontar muitos mais», acrescentou à Lusa.

Na UAE, João Almeida terá a companhia do espanhol Juan Ayuso, considerado um dos nomes mais fortes do ciclismo do país vizinho, mas com prestações aquém das expectativas que o levaram a cair; e a ser ultrapassado pelo português, na hierarquia dos chefes de fila da equipa. Para João Almeida, não há qualquer tipo de tensão na equipa. «Ainda não tivemos nenhuma reunião, mas acho que está tudo bem definido. Ele é um corredor bastante forte, bastante jovem, tem muito talento. Acho que vamos entrar os dois nesta Volta a Espanha como dois líderes. Todas as corridas que eu faço, há sempre outro corredor para líder. Desde que haja respeito mútuo, acho que não há qualquer problema», disse, desvalorizando o episódio ocorrido no Tour 2024, quando João Almeida recriminou Ayuso após este ter ficado na parte de trás do grupo dos favoritos na etapa da mítica subida ao Galibier.

«Onde é que já não vai essa discussão... As coisas foram logo faladas e resolvidas e a partir desse momento está tudo bem. (...) As pessoas gostam de criar aquelas rivalidades que, no fundo, não existem. Mas nós damo-nos bem e nada há a apontar. Vamos dia a dia. O objetivo é ganharmos como equipa, seja eu ou ele. Desde que a equipa tenha sucesso, é sempre o objetivo principal, e há que saber respeitar os nossos colegas da equipa», concluiu.

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