Investimento da Microsoft em Sines pode catapultar Portugal para o "top 5" dos ciberataques na Europa

4 dez 2025, 14:39
Sines plano Data Center Centro Dados (Business Wire)

País já saltou do 34.º para o 12.º lugar nos rankings de risco em apenas um ano. Agora, com a construção da nova "fábrica de IA", a tecnológica admite que Portugal pode passar a ser um dos principais alvos dos piratas informáticos na Europa

O investimento da Microsoft no Data Center de Sines vai aumentar a exposição do nosso país a ciberataques, admitiu esta quinta-feira o National Security Officer da tecnológica, Pedro Soares, prevendo que Portugal entre para o "top 5" europeu dos países mais atacados, já no próximo ano.

O representante da Microsoft Portugal falava na segunda conferência sobre "Cibersegurança e Transformação Digital num mundo multipolar", onde abordou o impacto do investimento da empresa na criação de infraestruturas de Inteligência Artificial (IA) em território nacional.

"Se estamos a investir no país, queremos que a proteção exista. Ao colocarmos a maior fábrica de IA em Portugal vamos trazer mais ataques a Portugal", assumiu o responsável da Microsoft, que revela que o aumento da visibilidade do país já se reflete nas estatísticas internas da empresa, com Portugal a subir do 34.º para o 12.º lugar no ranking de ataques detetados na infraestrutura da tecnológica, apenas no último ano.

Só que a tendência, com a construção do Data Center em Sines, é de que a situação se agrave no curto prazo.

"Acredito que para o ano vamos estar no 'top 5' da Europa em número de ataques que nós conseguimos ver na nossa infraestrutura. Acreditamos que vão acontecer mais", alertou.

Para mitigar estes riscos e garantir a soberania digital, a Microsoft destacou a implementação do "Data Boundary" (Fronteira de Dados da UE) e a figura do "Data Guardian", mecanismos que asseguram que os dados e metadados de cidadãos europeus permanecem no espaço comunitário e que o acesso a partir do exterior, nomeadamente dos Estados Unidos, carece de autorização europeia.

O alerta de segurança surge na sequência da confirmação, feita no início de novembro pela Microsoft, de um investimento superior a dez mil milhões de dólares (cerca de 9,5 mil milhões de euros), destinado à instalação de 12.600 placas gráficas de última geração da Nvidia no centro de dados da Start Campus, em Sines.

O presidente da tecnológica, Brad Smith, classificou o projeto como "histórico" e descreveu-o como uma "fábrica de IA", sublinhando que Portugal "ganhou a licitação" internacional face a outros países europeus devido à sua política energética, custos de eletricidade competitivos e condições climáticas favoráveis.

A operação, que conta com a parceria da Nscale e da Nvidia, integra o "Compromisso Digital para a Europa" da Microsoft, que prevê duplicar a capacidade dos seus centros de dados em 16 países europeus até 2027, posicionando Portugal como um polo central para o desenvolvimento de inteligência artificial "escalável, segura e sustentável".

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