Denúncias de conteúdos ilegais na Linha Internet Segura sobem 70% em 2025

Agência Lusa , AM
10 fev, 07:04
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Foram denunciados 949 casos de cibercrime e violência em 2025

O número de denúncias de conteúdos ilegais online aumentou 70% homólogos em 2025, para 1.747, com mais de mil sobre conteúdos de abuso sexual de menores, disse à Lusa Carolina Soares, gestora da Linha Internet Segura (LIS).

"A acompanhar esta tendência de crescimento que vimos no apoio a vítimas de cibercrime e de violência [949 casos]" regista-se "um aumento de denúncias no canal de denúncias de conteúdos ilegais que chamamos de Hotline", afirmou a responsável.

A Linha Internet Segura é um serviço do Centro Internet Segura, coordenada pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), com duas dimensões: Helpline, que presta apoio telefónico ou online, de forma anónima e confidencial a vítimas de cibercrimes, e a Hotline, uma plataforam de denúncia de conteúdos ilegais online como abusos sexuais de menores, incitamento à violência, racismo, xenofobia e terrorismo online.

Do volume de denúncias da Hotline recebidas no ano passado - 1.747 -, comparando com 2024, "tivemos um aumento de cerca de 70% do número de casos denunciados, sendo que destes, 61% dizem então respeito a conteúdo sexual de menores, o que representa também por si um aumento de 41% face ao ano anterior", referiu.

Do dotal de denúncias recebidas em 2025, 61,6% respeitam conteúdos de abuso sexual de menores (1.076), contra 761 um ano antes.

"Depois tivemos um outro aumento, bastante significativo, de 112% de situações de discurso de ódio [para 569 denúncias] que nos foram sinalizadas face a 2024", acrescentou Carolina Soares, salientando que nestas duas categorias houve uma subida significativa.

Ou seja, "mais pessoas a denunciarem aquilo que lhes parece ser, e muitas vezes é, conteúdo sexual de menores online e também mais pessoas a denunciarem situações de discurso de ódio online", enfatizou.

"Parece-me que ambas as situações são de prestar particular atenção: por um lado, por termos também pessoas (...) mais atentas e responsivas a conteúdos que veem online e, por outro, também temos noção de que existe uma maior percentagem de conteúdos deste tipo que se proliferam no espaço digital", apontou.

No total, foram categorizadas 1.780 imagens e vídeos, sendo 49% relativos a vítimas do sexo feminino (870).

Quando alguém denuncia, "um técnico analista vai então verificar o conteúdo numa sala específica para isso e face (...) a uma denúncia de conteúdo sexual de menores que seja de facto, temos de verificar se esse conteúdo está alojado em Portugal ou no estrangeiro", explicou.

Se estiver alojado em Portugal, é a APAV que sinaliza à Polícia Judiciária (PJ), nomeadamente a Unidade de Cibercrime, com quem tem protocolo. Depois inserem o conteúdo numa plataforma que está alojada nos servidores da Interpol, onde fazem a inserção do URL [endereço] para fazer a extração do conteúdo e analisar a imagem ou vídeo, para que a polícia internacional trabalhe na identificação dos menores e agressores.

"Se o conteúdo estiver alojado em Portugal, também fazemos aquilo a que nós chamamos Notice and Take Down, que é um NTD", que é fazer uma denúncia ao serviço de alojamento onde está este conteúdo para que seja removido num espaço de 72 horas.

A PJ é sempre informada destes procedimentos.

No caso de denúncias de conteúdo de discurso de ódio, "a análise é de alguma forma semelhante, portanto temos de verificar se é enquadrável ou não no artigo 240, que é o artigo de discriminação do nosso Código Penal", referiu.

Caso seja enquadrável, a APAV faz uma denúncia à PJ e também pode ser pedida a remoção da publicação.

949 casos de cibercrime e violência em 2025

A Linha Internet Segura (LIS) recebeu 949 casos de cibercrime e violência em 2025, um aumento homólogo de 39%, sendo as burlas e a extorsão os dois crimes mais reportados, avançou à Lusa Carolina Soares, gestora da LIS.

"Além de todas as pessoas que já apoiávamos em anos anteriores, cujo apoio é continuado, durante 2025 recebemos estes 949 novos processos", o que "revelou um aumento de 39% face a 2024", quando tinham sido registadas 681 vítimas de cibercrime, explica a gestora, no dia em que se assinala o Dia da Internet Mais Segura.

A Linha Internet Segura é um serviço do Centro Internet Segura, coordenada pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), com duas dimensões: Helpline, que presta apoio telefónico ou online, de forma anónima e confidencial a vítimas de cibercrimes, e a Hotline, uma plataforma de denúncia de conteúdos ilegais online como abusos sexuais de menores, incitamento à violência, racismo, xenofobia e terrorismo online.

"O crime que mais nos chega [...] mantém-se, são situações de burla", apontou Carolina Soares, e somou 358 situações em 2025, um aumento de 44% face aos 247 do ano anterior.

"Dentro da burla temos vários tipos de métodos", sublinhou, a que se segue, em segundo lugar, a extorsão, com 167 situações, um aumento de 90% face a 2024 (88).

A par das burlas, "o que se segue, em termos de grupo com maior destaque são as situações de violência sexual baseada em imagens, onde se enquadra a extorsão sexual, a partilha não consentida de uma imagem íntima e também a maior parte das situações de violência contra crianças", prosseguiu a responsável.

O acesso ilegítimo registou 78 situações, seguida de crimes sexuais contra crianças (75).

"Continuamos a ter um maior número de raparigas ou mulheres a chegarem até nós", que representam 53,1% dos reportes (504), referiu.

"O tipo de situação de vitimação é diferente, de uma forma genérica, daquilo que os homens ou rapazes sofrem e daquilo que as mulheres e raparigas têm tendência a sofrer", enquadrou a gestora da LIS.

De acordo com Carolina Soares, há muitos homens a "serem vítimas de burlas", nomeadamente de investimento.

"Temos um grande número aqui", por exemplo, "burlas de comércio online, ou então a serem vítimas, rapazes e homens, de situações de extorsão sexual", enfatizou.

Entre os métodos mais frequentes destacam-se a burla em comércio online (84), burla de investimento e criptomoedas (60) e burla romântica (49).

"No caso das mulheres, encontramos muitas a serem vítimas também de algumas burlas", quer no comércio online, através de mecanismos de 'smishing' [fraude digital que utiliza SMS ou aplicações de mensagens] também e de 'phishing' [que visa roubar dados confidenciais]" como "burlas românticas, também numa maior percentagem", elencou.

Inclui-se ainda a partilha não consentida de imagens íntimas e que podem ser geradas também através da inteligência artificial (IA), as chamadas 'deepfakes'.

Em termos de faixa etária, "tivemos um aumento significativo do número de contactos de crianças e jovens, ou seja, até aos 17,18 anos".

Em muitas dessas situações "também há um aumento significativo dos casos de extorsão sexual para esta população e de casos de aliciamento para fins sexuais, ou seja, temos mais casos em que existe uma tentativa de encontro físico com estas mesmas crianças e jovens, em espaço nacional, e de pornografia de menores, ou seja, os próprios gerarem uma fotografia sua, partilharem-na com alguém e depois essa pessoa fazer essa fotografia circular", relatou. Além de violência entre pares, "em contextos, por exemplo, de ciberbullying".

A extorsão sexual registou 159 situações e a partilha ou gravação não consentida de imagens íntimas 77.

No que respeita às situações que envolvem crianças e jovens, em 2025 a LIS apoiou 119 menores vítimas de cibercrime de outras formas de violência online (74 em 2024).

Do total, 75 respeitam crimes sexuais contra crianças online, nomeadamente pornografia de menores, aliciamento de menores para fins sexuais, importunação sexual e extorsão sexual.

Segundo as estatísticas, os dados refletem um aumento de 92% das situações de crimes sexuais contra crianças online face 2024.

Em 2025, a faixa etária 18-64 anos foi a que mais recorreu à Helpline (82,1% adultos), com 51 situações nos mais de 65 anos.

"Em termos do local do crime, continuamos a ter uma prevalência de situações que começam a ocorrer nas redes sociais [362], ou seja, num Facebook, num Instagram, num Snapchat, num Twitter X", entre outros, "mas a esmagadora maioria também tem uma tendência para depois passar para outras plataformas, nomeadamente encriptadas, como é o caso do WhatsApp", disse a responsável.

O Centro Internet Segura, coordenado pelo Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), resulta de um consórcio que envolve a DGE - Direção-Geral da Educação, o IPDJ - Instituto Português do Desporto e Juventude, a FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a APAV e a Microsoft Portugal.

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