Chefes de espionagem dos EUA e da Rússia encontram-se cara a cara na Turquia: nuclear, Brittney Griner e Paul Whelan na agenda

14 nov, 15:17
“Slava Ukraini, a libertação aconteceu”. Bandeiras hasteadas, festejos e agradecimentos às ZSU, Kherson celebra retirada russa

Trata-se do primeiro contacto cara a cara ao mais alto nível desde o início da guerra na Ucrânia

O director da CIA está na Turquia para uma reunião com o seu homólogo, o diretor do Serviço Estrangeiro de Espionagem (SVR, na sigla original). De acordo com fontes da Casa Branca citadas pela agência Reuters, William Burns leva na agenda para o encontro com Sergei Naryshkin um aviso sobre as eventuais consequências da utilização de armas nucleares por parte da Rússia. Entretanto, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, já confirmou o encontro ocorrido em Ancara.

Naquele que é o primeiro contacto cara a cara ao mais alto nível desde o início da guerra na Ucrânia, a 24 de fevereiro, em cima da mesa vai estar apenas uma mensagem: “as consequências do uso de armas nucleares por parte da Rússia e os riscos de uma escalada para uma estabilidade estratégica”, ainda de acordo com a mesma fonte da presidência norte-americana. Recorde-se que, recentemente, o conselheiro nacional de segurança da Casa Branca confirmou contactos informais entre figuras dos dois países nos últimos meses.

“Ele não vai conduzir negociações de qualquer tipo. Não está em causa a resolução da guerra na Ucrânia”, acrescentou aquela fonte, explicando ainda que em cima da mesa também devem estar os nomes dos cidadãos norte-americanos detidos na Rússia, como é o caso da basquetebolista Brittney Griner ou antigo fuzileiro Paul Whelan, ambos sentenciados por tribunais russos a penas de prisão efetivas.

A CNN confirmou este mesmo encontro, citando uma fonte do Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos, que fala num esforço para “comunicar com a Rússia na gestão de risco”, sublinhando também que seria abordado o tema dos “cidadãos norte-americanos injustamente detidos”.

“Temos sido muito abertos sobre o facto de termos canais para comunicar com a Rússia sobre a gestão do risco, especialmente o risco nuclear e o risco de estabilidade estratégica”, disse aquela fonte à CNN.

William Burns tem desempenhado um papel importante na relação da Administração Joe Biden com o Kremlin. Antigo embaixador em Moscovo, o agora homem-forte da espionagem norte-americana foi enviado, ainda em 2021, para a capital russa na tentativa de acalmar Vladimir Putin sobre o desenvolvimento militar ucraniano.

Apesar do encontro, os Estados Unidos garantem que continuam solidários com a Ucrânia, país avisado de que a reunião iria acontecer: “Informámos a Ucrânia antes da viagem. Estamos firmes no nosso princípio fundamental: nada sobre a Ucrânia sem a Ucrânia”.

A escalada do discurso vindo do Kremlin e os recentes desenvolvimentos da guerra no terreno, como a reconquista ucraniana de Kharkiv ou Kherson, têm feito aumentar o receio de que Vladimir Putin possa enveredar por uma estratégia que englobe armamento nuclear. O presidente russo já repetiu várias vezes que esse não é um objetivo mas deixou sempre bem claro que há um cenário no qual vai recorrer ao nuclear: ver território russo atacado. Ora, com a anexação ilegal de quatro regiões ucranianas na Federação Russa, entre as quais Kherson, o Kremlin pode entender esse passo como um ataque ao seu próprio território.

Ainda antes da Reuters, o jornal russo Kommersant avançou com a possibilidade deste encontro. Na altura, e questionado sobre isso mesmo, o Kremlin optou apenas por não confirmar o mesmo, enquanto o SVR recusou responder.

À margem do encontro decorre, na Indonésia, o G20. Foi a partir de lá que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, comentou este encontro dizendo que “é muito positivo que Estados Unidos e Rússia estejam a conversar, porque é um desenvolvimento extremamente importante na relação para o futuro”.

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