Filho de vice-diretora da CIA foi morto na Ucrânia enquanto lutava pela Rússia

25 abr 2025, 23:29
Michael Gloss
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

Viajou sozinho durante meses por vários países e muito pouca bagagem. Preocupava-se com a pobreza, o colapso da civilização e tinha o sonho de salvar o planeta de uma crise ecológica, mas acabou a lutar por Vladimir Putin alguns na linha da frente.

O filho de uma vice-diretora dos serviços secretos norte-americanos foi morto na linha da frente na Ucrânia em abril de 2024, depois de ter assinado um contrato com o exército russo, de acordo com uma investigação de um meio de comunicação independente russo. O pai confirmou a morte à imprensa americana, acrescentando que o filho lutava contra problemas de saúde mental. 

Michael Alexander Gloss, de 21 anos, vinha de uma família militar norte-americana. O pai de Gloss é um veterano da marinha americana e Juliane Gallina, a mãe de Gloss, foi a primeira mulher comandante dos cadetes da Academia Naval e trabalhou para os serviços de informações durante 30 anos, até tornar-se a vice-diretora de Inovação Digital da CIA, em fevereiro de 2024, poucas semanas antes da morte do filho.

De acordo com o obituário publicado pela família, Michael Gloss morreu a 4 de abril na "Europa de Leste" durante "as suas viagens ao estrangeiro". “Com o seu coração nobre e espírito guerreiro, Michael estava a forjar a sua própria jornada de herói quando foi tragicamente morto”, refere o obituário.

O que a publicação omitia e que a investigação russa revelou é que Michael Gloss deixou toda a sua vida nos Estados Unidos para trás e viajou durante meses pelo mundo até chegar à Rússia, em 2023, onde se alistou no exército russo. Inicialmente, Gloss viajou para a Itália, rumando de seguida para Israel. Mas a viagem durou pouco tempo, acabando por ser deportado. O jovem decidiu então viajar para a Turquia, onde passou vários meses, antes de seguir para a Rússia.

Um amigo de Gloss que conviveu com ele na Turquia revelou que o jovem vivia consumido com pensamentos negativos, acerca da pobreza, colapso de civilizações e com o sonho de salvar o planeta de uma crise ecológica. Segundo o jovem, Gloss estava convencido que a "hegemonia ocidental estava a chegar ao fim" e que "os BRICS iriam tomar o seu lugar". 

Outro jovem recorda a revolta expressada contra os Estados Unidos da América durante a partilha de vídeos dos ataques em Gaza. O jovem recorda que foi nesse momento que viu Gloss determinado em rumar em direção à Rússia e "lutar contra os EUA". "Mas acho que aqueles vídeos de teorias da conspiração o afectaram mesmo", admite. 

Na sua página da rede social russa Vkontakte, o jovem descrevia-se como apoiante do mundo multipolar. "Fugi de casa. Viajei pelo mundo. Odeio fascismo. Amo a minha pátria", acompanhado por bandeiras da Rússia e da Palestina. 

Dados obtidos pela investigação mostram que o jovem entrou na Rússia através da Geórgia em agosto de 2023. Um mês depois surgem registos médicos de Gloss que detalham a rua Yablochkova, em Moscovo, como sendo a sua morada. Esta é a morada que é atribuída a todos os voluntários que chegam à capital russa para lutar pelo exército de Vladimir Putin. 

O pai de Michael Gloss afirmou que o jovem julgava que faria parte de uma unidade de apoio do exército russo. Mas a verdade é que o filho da vice-diretora da CIA foi enviado para unidades de assalto da 137.º Regimento Aerotransportado. A última vez que entrou no Telegram foi no dia 14 de março de 2024, duas semanas antes de a sua unidade iniciar uma ofensiva contra as posições ucranianas. No entanto, as circunstâncias exatas da morte de Michael Gloss não são conhecidas.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Europa

Mais Europa