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"Gota fria" a caminho de Portugal traz chuva e trovoada a partir de quarta-feira

11 nov 2024, 14:00
Chuva (Associated Press)
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Depressão em altitude está a deslocar-se para território nacional e vai trazer instabilidade meteorológica

Aguaceiros fortes, acompanhados de trovoadas, são esperados em “todo o território nacional” já a partir desta quarta-feira à tarde e devem manter-se até ao fim da semana. A culpa é de uma depressão em altitude, a chamada “gota fria” (ou DANA - depressão isolada em níveis altos), de grande extensão, que se está a deslocar para território português, diz o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) à CNN Portugal.

De acordo com a meteorologista Alexandra Fonseca, apesar do fenómeno que estará na origem do mau tempo dos próximos dias ser o mesmo que provocou a tragédia que se abateu sobre a região de Valência, em Espanha, no fim do mês passado, não se prevê que a chuva e a trovoada que são esperados em todo o país atinjam níveis “sequer perto do que aconteceu em Espanha”.

“As quantidades de precipitação previstas, à data de hoje e com os dados que agora temos, não são, para já preocupantes e, para já, não iremos emitir qualquer aviso. Mas vamos acompanhar a situação e monitorizar os dados”, garantiu a especialista.

Antes da chuva, é esperada uma descida da temperatura, já a partir desta terça-feira, “tanto da mínima como da máxima”. Os valores das temperaturas máximas não devem ultrapassar os 20 graus e é mesmo esperada “queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela”.

A partir de quinta-feira, a temperatura tende a subir novamente, mas os valores devem aproximar-se mais daqueles que são considerados habituais para a época, já que novembro tem tido temperaturas “ligeiramente superiores” aos valores médios para esta altura do ano.

Como se forma uma DANA?

Para existir uma DANA é necessária uma frente polar, uma corrente de ventos muito intensos (entre os 150 e os 300 quilómetros por hora) que circula na parte alta da atmosfera (normalmente a nove mil metros de altitude) e que afeta sobretudo os sistemas da América do Norte, Europa e Rússia.

Este fenómeno acaba por desencadear ondulações de vento que vão, no espaço de sete a dez dias, provocar autênticas tempestades, anticiclones ou, como neste caso, uma DANA.

Ao contrário de uma tempestade normal, que acaba por passar de forma relativamente rápida, uma DANA pode permanecer no mesmo local durante vários dias ou até mover-se em regressão. Significa isso que pode movimentar-se de forma oposta ao fluxo zonal do oeste. Quer isto dizer que, ao contrário das tempestades comuns, pode movimentar-se de Espanha para Portugal, quando o fluxo normal é o oposto.

Na prática, trata-se de um sistema que se desprende do cinturão de ventos estabelecido na troposfera, baixando assim à estratoesfera. Esta massa de ar frio que desce para níveis mais baixos acaba por gerar precipitação e vento forte.

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