Onde vai chover, quais as zonas mais afetadas e quando chega o "alívio": é isto que ainda falta do "rio atmosférico"

11 fev, 13:06

Metade de Portugal está em alerta esta quarta-feira e muitas das zonas são aquelas que têm sido constantemente afetadas nas últimas semanas

Santarém, Leiria, Coimbra, Viseu, Aveiro, Porto, Vila Real, Braga e Viana do Castelo: estes são os nove distritos que estão sob aviso laranja por causa da precipitação até às 18:00 desta quarta-feira. E tudo por causa de um "rio atmosférico" que se instalou há cerca de duas semanas.

"Temos chuva persistente no Norte e Centro", explica à CNN Portugal o meteorologista Jorge Ponte, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). A chuva poderá ser por vezes forte, mas o que é mais importante sublinhar é "a persistência da precipitação nos mesmos locais onde tem chovido na última semana", diz.

"O elevado acumular de precipitação" é algo a que se deve estar atento tendo em conta "a situação das bacias hidrográficas e a saturação dos solos", refere o meteorologista. 

E o que vem a seguir?

A partir das 18:00 horas a chuva diminui. Na quinta-feira de manhã e ao início da tarde sentir-se-á um certo "alívio".

Mas, ao final do dia de quinta-feira, a chuva voltará, em todo o país, mas com mais incidência no Norte e Centro. "Um novo sistema frontal vai provocar um agravamento a partir do fim da tarde e durante a madrugada de quinta para sexta", especifica o meteorologista do IPMA. 

"Não se esperam acumulados tão elevados como hoje, mas, tendo em conta a situação frágil dos territórios", a situação deverá ser acompanhada. "É expectável o aumento do caudal dos rios".

Na sexta-feira, uma boa notícia: a chuva persistente passa a aguaceiros. Poderá haver trovoada e queda de granizo em alguns locais, e neve Serra da Estrela. Existe também um aviso amarelo para vento com rajadas fortes, na ordem dos 80 quilómetros por hora.

Finalmente, "o sábado é um dia bom, vai haver sol", antecipa o meteorologista. "Haverá uma melhoria no fim de semana", isso é certo. "Na próxima semana ainda pode chover", mas nada que se compare com as quantidades de precipitação vistas nas últimas semanas.

Cheias, derrocadas, abatimentos - o risco continua

A Proteção Civil tem estado particularmente atenta à subida dos caudais dos rios Mondego, Douro e Tejo.

O rio Mondego está com "um risco claro dos diques [margens]" poderem colapsar e provocar inundações face às previsões de forte precipitação, afirmou o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Na região de Coimbra várias pessoas foram retiradas das suas casas por prevenção.

O climatologista Carlos Câmara explica que na terça-feira, em Coimbra, "tivemos uma precipitação de 43 litros por metro quadrado. Isto quer dizer que em cada quadrado de um metro por um metro caíram cerca de oito garrafões de cinco litros de água". Nos primeiros dez dias de fevereiro em Coimbra já caiu mais do dobro do que costuma cair em média. "É um volume monumental de água", resume.

Além das inundações, existe também o risco de deslizamento de terras e existem várias situações de abatimento de estradas - esse risco irá prolongar-se mesmo depois da chuva parar.

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