“Limpar” a imagem custaria à ex-CEO da TAP mais de 12 mil dólares mensais

ECO - Parceiro CNN Portugal , Ana Petronilho, Alberto Teixeira e André Veríssimo
14 dez 2023, 07:49
A presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener, na Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP (Lusa/António Cotrim)

Quatro meses depois de ter sido despedida da TAP, a gestora francesa foi contactada por duas consultoras, uma americana e outra britânica, a propor os serviços para melhorar a reputação

Quatro meses depois de ter sido despedida da TAP com justa causa, a ex-CEO foi contactada por duas empresas, uma americana e outra inglesa, especializadas em gestão de imagem, sobretudo online, a propor à gestora os seus serviços para travar os prejuízos reputacionais e profissionais “vincados por todo o mundo” e para tentar “mitigar a situação de descrédito internacional”.

Uma das empresas é a Status Labs, sediada no Reino Unido, considerada como a principal empresa de gestão de reputação digital, marketing online e relações públicas. Segundo a documentação anexada ao processo movido pela gestora francesa contra as duas empresas do universo TAP – a que o ECO teve acesso – o gestor da empresa sugere vários pacotes de serviços e campanhas, que duram entre dois a seis meses, para limpar a imagem de Christine Ourmières-Widener com valores fixados entre os “oito mil e os 12 mil dólares mensais, dependendo do objetivo”, lê-se num email enviado pela Status Labs a Floyd Widener, marido da gestora francesa.

Entre os vários serviços oferecidos, a Status Labs recomendou uma estratégia de gestão de reputação online que passaria por “limpar” as notícias negativas sobre Christine Ourmières-Widener das primeiras páginas de pesquisa do Google.

Na prática, esta agência de comunicação escolheria entre dez a 20 artigos com um tom positivo ou neutro para as “puxar” para a primeira página quando se pesquisa pelo nome da ex-CEO da TAP, acima das notícias negativas. Como? Dando relevância a essas notícias positivas através de uma estratégia de backlinks (hiperligações noutros sites), que “são um fator importante que determina como o Google determina o conteúdo que é mais relevante para uma determinada palavra-chave”.

Além disso, a Status Labs sugeriu ainda limpar a imagem pessoal de Christine Ourmières-Widener gerindo e criando conteúdos publicados no sites pessoais da gestora, onde se incluem, por exemplo, a publicação de artigos de fundo, entrevistas, perfis profissionais. Desta forma, é publicado conteúdo mais positivo e que aparece nos resultados de pesquisa em plataformas e sites de alta credibilidade aos olhos do Google.

No email enviado ao marido da gestora, a empresa inglesa sugeriu também editar a página da Wikipedia de Christine Ourmières-Widener, alterando a informação sobre a gestora nas páginas referenciadas. Esta campanha, que pode durar entre três a seis meses, tem custos que flutuam “entre os 10 mil e os 20 mil dólares”, sendo que o “preço final e duração da campanha depende do volume e da complexidade das alterações necessárias”, lê-se no documento.

A outra empresa que contactou, em julho, Christine Ourmières-Widener a oferecer os seus serviços para travar danos reputacionais e profissionais foi a americana Trident DMG, com sede em Nova Iorque, especializada em mitigar danos em contexto de crise, de estratégia e de comunicação. No entanto, entre a documentação anexa ao processo não constam detalhes nem valores dos serviços propostos à gestora francesa por esta empresa.

O ECO sabe que a gestora ainda não aceitou os serviços destas duas empresas estando a analisar as duas soluções. No processo lê-se que “os custos com este acompanhamento são bastante elevados”, mas com os prejuízos pessoais e profissionais que enfrenta, a gestora pode vir a ser “obrigada a aceitar” os serviços da Status Labs e da Trident DMG para “tentar mitigar a situação de descrédito internacional”, em que se encontra.

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