Segundo a presidente do Banco Central Europeu, "já se causou demasiado dano" e não há maneira nenhuma de restabelecer no prazo de meses a produção de energia perdida
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, está pessimista quanto à rapidez com que os efeitos da guerra no Médio Oriente deixem de se sentir no mundo, em particular na Europa.
Numa entrevista ao The Insider, da revista The Economist, Lagarde afirmou que a expectativa de um retorno rápido ao normal é “excessivamente otimista”.
“Estamos perante um verdadeiro choque (...) provavelmente para além do que conseguimos imaginar neste momento”, disse a líder francesa, que alertou para o perigo de uma “avaliação tardia” da gravidade da crise dado que as consequências vão surgir de forma “gradual”.
Segundo Lagarde, os especialistas do BCE entendem que "já se causou demasiado dano" e que não há maneira nenhuma de restabelecer no prazo de meses a produção de energia perdida no Médio Oriente. A presidente do banco diz mesmo que a disrupção pode durar anos.
Quanto ao futuro da União Europeia, Lagarde disse que o bloco está em “boa posição para responder” a uma crise, mas afirma estar preocupada com os orçamentos de cada país e alerta que não há tanto espaço para uma manobra fiscal como aquando da invasão da Ucrânia, quando os 27 gastaram cerca de 2,5% do PIB a atenuar os impactos do choque energético.