Lagarde adverte que inflação "vai manter-se alta bastante tempo"

Agência Lusa , FMC
21 jul, 16:11
Christine Lagarde - Banco Central Europeu

Presidente do BCE salientou que a inflação na zona euro disparou em junho para 8,6%, o que se deve em particular aos preços da energia, que vão continuar elevados, dos alimentos e às dificuldades nas cadeias de abastecimento

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou esta que estão a aumentar as pressões sobre a inflação "que vai manter-se alta durante bastante tempo", num momento em que a economia desacelera.

A pressão nos preços da energia, dos alimentos e os problemas nas cadeias de abastecimento estão por detrás da tensão inflacionista, afirmou a líder do BCE na conferência de imprensa realizada após a reunião do banco central que aprovou uma subida de 50 pontos base nas suas taxas de juro.

Segundo Lagarde, o BCE decidiu "por unanimidade" subir as taxas de juro em 50 pontos base e aprovar um instrumento para evitar que disparem os juros da dívida de alguns países da zona euro e que consiste em comprar dívida desse país.

O aumento das taxas de juro anunciado esta quinta-feira foi o primeiro desde julho de 2011 e o mais intenso desde 2000, permitindo à zona euro sair das taxas de juro negativas.

A taxa de juro das principais operações de refinanciamento passa de 0% (nível em que estava desde 2016) para 0,50%, a taxa aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez fica agora em 0,75% e a taxa de depósito que estava em terreno negativo desde junho de 2014 (atualmente em -0,50%) sobe para 0%.

Ao aprovar um novo instrumento para evitar que subam os juros da dívida de alguns países, como agora acontece com Itália, que atravessa uma crise política, e tendo em vista os dados mais recentes sobre a evolução da inflação, o BCE pode aprovar uma subida das taxas de juro mais agressiva do que tinha indicado em junho.

"O Conselho considerou apropriado dar um primeiro passo maior na normalização da sua política monetária", salientou Lagarde, acrescentando que nas próximas reuniões serão necessárias mais subidas das taxas de juro em função do momento.

O que vai acontecer em setembro (data da próxima reunião) dependerá dos dados das novas projeções de inflação e de crescimento, avançou.

"Estamos a acelerar a saída" de uma política monetária muito expansionista e sair de taxas de juro negativas "permite fazer uma transição" com a tomada de decisões sobre as taxas em cada reunião, adiantou.

A presidente do BCE salientou que a inflação na zona euro disparou em junho para 8,6%, o que se deve em particular aos preços da energia, que vão continuar elevados, dos alimentos e às dificuldades nas cadeias de abastecimento.

Quanto ao mecanismo anti-fragmentação, Lagarde indicou que se trata de um instrumento (Instrumento de Proteção da Transmissão) "para todos os países da zona euro" e que será o Conselho do BCE a decidir se se aplica a um país, mas insistiu que se trata de uma ferramenta para usar "num momento excecional", embora tenha também salientado que o BCE "não hesitará" em recorrer a ele.

A presidente do BCE disse ainda que as consequências da guerra na Ucrânia, a inflação recorde e a incerteza económica "ensombram significativamente as perspetivas para o segundo semestre de 2022".

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