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Prazeres culpados: eu só quero chocolate

10 ago 2025, 16:00
Chocolate (Nerudol/Adobe Stock)

Este artigo contém referências a Juliete Binoche e a Johnny Depp, mas também a Tim Maia

Gosto de chocolate. Gosto de chocolate em tablete, em mousse, em gelado, em bolos, no leite, em bombons e de mais formas que possam eventualmente existir. Mas, atenção, sou uma purista. Gosto do chocolate de leite, mais do que o branco ou negro, o mais simples possível, sem recheios, sem licores, sem amêndoas ou avelãs. Gosto dos chocolates Regina, em tabletes finíssimas com ligeiro aroma a laranja ou a morango, que comia quando era miúda. Gosto das “Fantasias de Natal” que pendurávamos no pinheiro, em forma de bola e de sino e depois vinha o coelhinho, não, não, o coelhinho vai com o Pai Natal e o palhaço no comboio ao circo. Gosto das clássicas tabletes da Nestlé. Dos ovos da páscoa. Das moedas de chocolate. Do leite com Nesquik ou com Suchard Express (mas nunca gostei do Cola Cao). Gosto de praticamente todos os gelados com chocolate, de mousse caseira (não da de pacote), das mini-tabletes e dos bons-bons da Lindt, dos triângulos Toblerone (quem é que consegue comer só um?). Não me lembro de nenhum bolo de chocolate que não seja maravilhoso. Gosto de croissants com chocolate. De crepes com chocolate. De pão com chocolate. De brigadeiros de chocolate. De cookies de chocolate. Gosto do chocolate quente com sabor às noites de natal da minha infância, feito na cafeteira da minha avó depois de termos abertos as prendas. 

Gosto até do filme com a Juliete Binoche e o Johnny Depp, que nem era assim tão bom, mas quase dava para sentir o cheiro do chocolate na sala do cinema. E da música do Tim Maia: "Não adianta vir com guaraná pra mim, é chocolate o que eu quero beber".

O problema do chocolate é que não é muito saudável e ainda por cima engorda. Engorda muito. Acho que engordei só de escrever tantas vezes a palavra chocolate. O problema do chocolate é que não se pode comer tantas vezes quantas gostaríamos. E mesmo que sejam só quadradinhos pequenos, mesmo que seja só um, a derreter-se na boca devagarinho, a deixar-nos os dentes e a língua castanhos, o doce mistura-se com a culpa e sabemos, temos imediatamente a certeza, que no dia seguinte já vai ser difícil apertar as calças.

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