Tripulação do barco naufragado em Chipre acusada de homicídio. Incidente provocou oito mortos

Agencia EFE , TFR
31 ago, 12:41
Nesta imagem extraída de um vídeo, passageiros com coletes salva-vidas aguardam, em cima de um navio de passageiros que virou, o resgate ao largo da costa de Girne, na parte norte de Chipre, ocupada pela Turquia, no domingo, 30 de agosto de 2026. (DHA via AP)
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A embarcação afundou-se, no domingo, numa zona onde a profundidade do mar é de cerca de 514 metros

Um tribunal da cidade cipriota turca de Girne ordenou esta segunda-feira a detenção, sob a acusação de homicídio por negligência e imprudência, dos oito tripulantes do barco cujo naufrágio, no domingo, a norte da ilha de Chipre, provocou oito mortos e dezoito desaparecidos, informam os meios de comunicação locais.

O tribunal ordenou também a detenção do gerente da Filo Denizcilik, a empresa turca proprietária do barco sinistrado, um catamarã de 40,5 metros que naufragou no domingo com 259 passageiros e oito tripulantes a bordo, quando fazia a ligação entre Girne, no norte de Chipre, e o porto de Tasucu, na Turquia.

O juiz responsável ordenou a detenção dos suspeitos por um período inicial de três dias, para dar tempo aos investigadores de reunir os dados técnicos ainda em falta, analisar o diário de bordo da embarcação e recolher os testemunhos dos 241 sobreviventes resgatados.

Além disso, determinou a localização e apresentação perante o tribunal de outras sete pessoas ligadas à empresa proprietária do navio, informa o diário Yeniduzen.

Uma ampla operação de busca continua esta segunda-feira para tentar localizar os dezoito desaparecidos, estando prevista para amanhã a chegada à zona de um navio turco capaz de realizar buscas até 500 metros de profundidade.

A tripulação do barco emitiu no domingo um pedido de socorro às 12h10 locais, informando que a embarcação estava a meter água.

A embarcação acabou por virar-se e afundar-se numa zona onde a profundidade do mar é de cerca de 514 metros.

Segundo a estação turca NTV, o barco tinha 26 anos, mas estava inativo há pelo menos quatro anos antes do acidente.

A polícia informou que o pontão esquerdo do barco se partiu, provocando a entrada de água.

Alguns sobreviventes afirmam que o catamarã começou a meter água pouco depois de zarpar e que navegava a uma velocidade excessiva, acrescentando que a tripulação ignorou os avisos nesse sentido feitos por alguns passageiros.

Algumas testemunhas afirmam que, antes de o barco se afundar, foi ouvido um ruído semelhante a uma explosão na proa.

A imprensa cipriota turca noticia que foram registadas várias infrações, entre as quais o facto de as portas estarem fechadas no momento do acidente, falhas na distribuição dos coletes salva-vidas e a impossibilidade de evacuar os passageiros através de botes salva-vidas.

Alguns passageiros declararam aos meios de comunicação que o capitão tentou fugir do barco durante o naufrágio.

O ministro cipriota turco das Obras Públicas e Transportes, Erhan Arıklı, garantiu à agência turca Anadolu que as denúncias e os testemunhos dos passageiros serão analisados.

As autoridades indicaram que os passageiros resgatados que estavam internados já receberam alta e que nenhum dos que permanecem em centros médicos se encontra em estado grave.

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