Comissária da ONU para os Direitos Humanos quer visitar centros para minorias na China

Agência Lusa
23 mai, 22:45
Xinjiang

Michelle Bachelet quer visitar Xinjiang e reunir-se com ativistas locais e pessoas detidas por reivindicação de liberdades. Os Estados Unidos acreditam que a China não facultará o "acesso necessário para realizar uma avaliação completa e franca"

A alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, que iniciou esta segunda-feira uma visita à China, pretende ter acesso aos centros de detenção para minorias étnicas, que Pequim alega serem de treino vocacional, e a ativistas locais de direitos humanos.

Michelle Bachelet, de 70 anos, manteve esta segunda-feira, por videoconferência, uma reunião com os chefes de delegações de cerca de 70 embaixadas estrangeiras na China, segundo adiantaram à agência France-Presse (AFP) fontes diplomáticas.

As mesmas fontes acrescentaram que Bachelet garantiu aos diplomatas que tinha negociado o acesso a centros de detenção e que poderá falar com ativistas locais de direitos humanos.

Desde 2018 que as Nações Unidas têm promovido duras negociações com as autoridades chinesas para obter um “acesso livre e significativo” a Xinjiang (noroeste da China).

Esta região foi atingida nos últimos anos por ataques, atribuídos a separatistas e islâmicos uigures pelas as autoridades chinesas, que em resposta desencadearam uma política de vigilância drástica, justificada como uma ação de antiterrorismo.

Campos de detenção ou centros de formação vocacional? A visita de Bachelet pretende esclarecer a verdade

De acordo com organizações de defesa dos Direitos Humanos, pelo menos um milhão de uigures e membros de outras minorias de origem muçulmana estão ou foram enviados para campos de detenção em Xinjiang, e colocados sob vigilância apertada das autoridades.

Pequim contesta, dizendo que são centros de "formação e treino vocacional", destinados a afastá-los de movimentos terroristas e separatistas.

A visita de Bachelet, que tem a duração de seis dias, até sábado, é a primeira de um alto comissário da ONU para os Direitos Humanos desde 2005.

Uma das questões-chave é perceber se Bachelet poderá visitar os centros de detenção, mas também se poderá reunir-se com pessoas presas por reivindicações de maiores liberdades religiosas, políticas e culturais.

Segundo a agenda oficial, a diplomata deverá deslocar-se em particular a Urumqi, capital de Xinjiang, bem como a Kashgar, uma cidade no sul da região onde a população uigur é particularmente grande.

Bachelet vai reunir-se com "uma série de altos funcionários a nível nacional e local", "organizações da sociedade civil, representantes do mundo empresarial, bem como académicos", divulgou o seu gabinete.

No entanto, devido à pandemia de covid-19, a visita decorrerá em “circuito fechado”, numa bolha sanitária, explicou aos ‘media’ Wang Wenbin, porta-voz da diplomacia chinesa.

Por esta razão, quer o Alto Comissariado, quer Pequim, decidiram em conjunto não incluir jornalistas na delegação, adiantou a mesma fonte.

Mas a visita da antiga presidente chilena está a ser acompanhada por perto, devido ao receio de que a China aproveite a ocasião para sacudir as acusações de que é alvo.

A organização de direitos humanos Chinese Human Rights Defenders (CHRD), com sede em Washington, alertou hoje que a visita de alto nível será "cuidadosamente gerida e coreografada" por Pequim.

"Tememos (...) que não tenha acesso livre às vítimas, testemunhas, membros independentes da sociedade civil" e que "os seus pontos de vista sejam distorcidos pelo governo chinês", sublinhou esta Organização Não Governamental (ONG).

A Amnistia Internacional salientou também hoje que durante a sua viagem Bachelet deve "lidar com crimes contra a humanidade e graves violações dos direitos humanos".

"A visita há muito adiada de Michelle Bachelet a Xinjiang é uma oportunidade crítica para abordar as violações de direitos humanos na região, mas também será uma batalha contínua contra os esforços do governo chinês para encobrir a verdade", realçou a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnes Callamard, em comunicado.

Os Estados Unidos, que acusam a China de "genocídio", já criticaram Bachelet pelo seu "silêncio persistente" diante as "atrocidades" e manifestaram “preocupação” com esta visita.

"Não esperamos que a República Popular da China garanta o acesso necessário para realizar uma avaliação completa e franca da situação dos direitos humanos em Xinjiang", sustentou Washington na semana passada.

A viagem de Bachelet ocorre antes da esperada divulgação de um relatório sobre a situação dos direitos humanos em Xinjiang, sendo que quase duas centenas de grupos de direitos humanos pediram à alta-comissária que divulgasse o trabalho há meses.

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