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China condena dois ex-ministros da Defesa a prisão perpétua em nova purga militar de Xi Jinping

CNN , Steven Jiang
7 mai, 16:16
Li Shangfu and Wei Fenghe (AP/Getty Images)
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Os dois antigos generais foram condenados a penas de morte suspensas que serão convertidas em prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional, após dois anos

A China condenou esta quinta-feira dois antigos ministros da Defesa a penas de morte suspensas, numa decisão surpreendente que surge no contexto da contínua purga nas forças armadas chinesas.

Wei Fenghe e Li Shangfu foram ambos condenados por corrupção e receberam a pena de morte com suspensão por dois anos por parte de um tribunal militar chinês, segundo os meios de comunicação estatais. O tribunal anunciou que as penas dos dois antigos generais serão convertidas em prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional, após dois anos.

Wei, de 72 anos, foi ministro da Defesa entre 2018 e 2023. Li, de 68 anos, sucedeu-lhe no cargo e ocupou a posição durante menos de oito meses em 2023. Ambos foram alvo de investigação pelo braço anticorrupção das forças armadas chinesas nesse mesmo ano.

O líder chinês, Xi Jinping, levou a purga militar aos níveis mais altos da hierarquia, tendo recentemente afastado, em janeiro, Zhang Youxia, o general de mais alta patente, que superava Wei e Li na cadeia de comando e que chegou a supervisionar as operações diárias das forças armadas.

A reorganização promovida por Xi atingiu uma vasta parte do Exército de Libertação Popular da China, que conta com cerca de dois milhões de militares. Desde 2022, mais de 100 oficiais poderão ter sido afastados.

De acordo com um relatório publicado em fevereiro pelo Center for Strategic and International Studies, 36 generais e tenentes-generais foram oficialmente afastados desde 2022, enquanto outros 65 oficiais são considerados desaparecidos ou potencialmente alvo da purga.

Segundo o mesmo relatório, quando se contabilizam cargos que foram alvo de substituições mais do que uma vez, cerca de 52% das posições de topo da liderança do Exército foram afetadas.

Esta ampla operação faz parte da campanha de longa data de Xi Jinping para eliminar a corrupção nas forças armadas, ao mesmo tempo que reforça o seu controlo sobre o poder e avança com uma profunda modernização militar.

No entanto, a dimensão desta “purga sem precedentes” levanta dúvidas sobre a capacidade operacional do Exército chinês para executar operações complexas, escreveram os autores do relatório.

Após a queda de Zhang e do seu principal aliado, em janeiro, um editorial publicado no jornal oficial PLA Daily acusou os dois antigos líderes militares de minarem a autoridade máxima de Xi Jinping, ao mesmo tempo que reforçou a mensagem de tolerância zero em relação à corrupção.

As investigações irão “eliminar influências tóxicas” dentro do Exército e “ajudar as forças armadas populares a passar por uma renovação profunda, injetando um forte impulso na construção de um exército forte”, referia o editorial.

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