China realiza operações navais e aéreas em Taiwan. Pequim fala em "ações militares direcionadas"

António Guimarães , com Lusa
2 ago, 16:41
Caças chineses Su-30 (Jin Danhua/AP)

O governo chinês diz que a visita “mina gravemente a paz e a estabilidade” no Estreito de Taiwan e "envia um sinal seriamente errado às forças separatistas para a 'independência de Taiwan'"

O Comando Militar do Este da China afirmou que vai realizar operações militares conjuntas em torno da ilha de Taiwan a partir desta terça-feira. Esta é a resposta de Pequim à chegada da líder da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, ao território.

Citada pela agência Reuters a mesma fonte afirma que serão realizados exercícios navais e aéreos no norte, sudeste e sudoeste da ilha, naquilo a que a China chama de "ações militares direcionadas".  A agência noticiosa oficial Xinhua noticiou que o exército chinês vai acontecer entre quinta-feira e domingo exercícios navais militares, que incluem fogo real, em seis áreas marítimas em redor da ilha de Taiwan.

Entretanto, e também citado pela agência Reuters, o Ministério da Defesa de Taiwan afirmou que 21 aeronaves militares chinesas entraram no espaço aéreo da ilha.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China divulgou um comunicado após a chegada de Pelosi, alegando que sua visita “tem um impacto severo na base política das relações China-EUA e infringe seriamente a soberania e a integridade territorial da China”, cita a CNN Internacional. O governo chinês diz que a visita “mina gravemente a paz e a estabilidade” no Estreito de Taiwan e “envia um sinal seriamente errado às forças separatistas para a 'independência de Taiwan'”. “A China opõe-se firmemente e condena severamente” a visita e diz que Pelosi “desconsiderou as severas advertências” de Pequim.

A declaração acontece um dia depois de a China se ter mostrado contra o “grave impacto político” da visita de Pelosi, garantindo que os militares chineses “não ficarão de braços cruzados” se Pequim acreditar que a sua “soberania e integridade territorial” estão sob ameaça.

“Há apenas uma China no mundo. Taiwan é uma parte inalienável do território da China, e o Governo da República Popular da China é o único governo legal que representa toda a China. Isso foi claramente reconhecido pela Resolução 2758 da Assembleia Geral das Nações Unidas de 1971”, lê-se no comunicado, citado pela Lusa.

O Ministério da Defesa chinês observou, também em comunicado, que, desde a fundação da República Popular da China, em 1949, 181 países estabeleceram relações diplomáticas com Pequim “com base no princípio de uma só China”. “O princípio de uma só China é um consenso universal da comunidade internacional e uma norma básica nas relações internacionais”, insistiu.

Para Pequim, Taiwan é uma das questões “mais críticas e sensíveis” nas relações bilaterais com Washington. “Este Governo dos EUA [de Joe Biden] prometeu repetidamente defender a política de uma só China e parar de apoiar a ‘independência de Taiwan’. No entanto, as ações e declarações recentes foram no caminho oposto dessas promessas”, acrescenta-se no comunicado. Nesse sentido, o Governo chinês insta os Estados Unidos a “cumprir as promessas”, a “interromper qualquer intercâmbio oficial com a região chinesa de Taiwan, e a “parar de interferir nos assuntos internos da China”.

“Qualquer tentativa injusta de reverter a história, tornar Taiwan um problema ou pôr em perigo a soberania e a integridade territorial da China está destinada ao fracasso e terá um preço a pagar”, ameaçou.

Segundo o Los Angeles Times, Pelosi, que tem sido crítica sobre Pequim, é a mais alta autoridade eleita dos EUA a visitar Taiwan em 25 anos. 

Antes de rumar a Taiwan, Nancy Pelosi afirmou que a sua visita “é mais importante hoje do que nunca, pois o mundo enfrenta uma escolha entre autocracia e democracia”. No entanto, frisou que a sua viagem “de forma alguma contradiz” a política dos EUA em relação à China e a Taiwan.

Em resposta às afirmações chinesas, vários senadores norte-americanos emitiram um comunicado de apoio à visita de Pelosi.

A China reivindica soberania sobre a ilha e considera Taiwan uma província rebelde desde que os nacionalistas do Kuomintang se retiraram para lá, em 1949, depois de perder a guerra civil contra os comunistas.

Taiwan, com quem o país norte-americano não mantém relações oficiais, é uma das principais fontes de conflito entre a China e os EUA, principalmente porque Washington é o principal fornecedor de armas de Taiwan e seria o seu maior aliado militar em caso de conflito com o gigante asiático.

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