China testa capacidade de ataques aéreos de longo alcance em torno de Taiwan

7 ago, 20:20

No quarto e possivelmente último dia de exercícios militares, as forças armadas chinesas concentraram os seus esforços em simular ataques terrestres e aéreos. Major-General Isidro Morais Pereira considera que intenção é demonstrar "aquilo que a China hoje vale em termos de poder bélico"

As forças chinesas realizaram este domingo exercícios militares em torno de Taiwan para simular ataques terrestres e aéreos, segundo avançou o exército da República Popular da China, naquilo que se espera que seja o último dia de extensas operações realizadas em resposta a uma visita à ilha pela presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi.

O Comando do Teatro Oriental dos militares chineses disse, por volta do meio-dia, hora local, que realizou exercícios de tiro ao vivo nas águas e no espaço aéreo em torno de Taiwan "como planeado". "Os exercícios concentraram-se em ataques terrestres conjuntos de fogo e capacidades de ataques aéreos de longo alcance", disse o comando numa declaração publicada na sua conta oficial na plataforma de comunicação social Weibo, sem especificar se os exercícios terminaram.

As operações, planeadas para serem realizadas em seis zonas à volta da ilha, começaram na quinta-feira e estavam programadas para durar até domingo, segundo a imprensa estatal chinesa.

Para o Major-General Isidro Morais Pereira estes exercícios militares devem ser vistos “fundamentalmente como uma demonstração de força daquilo que a China hoje vale em termos de poder bélico”, especialmente numa altura em que Xi Jinping luta por uma reeleição em novembro. “Se a intenção verdadeira fosse a de atacar Taiwan, então esse ataque já teria sido feito”.

Morais Pereira aponta também para o poderio militar de Taiwan que tem pelo menos 80 mil homens permanentes, mas que “é capaz de mobilizar um milhão e meio de reservistas”. Para além disto, prossegue, tem cerca de “1200 carros de combate e 600 caças, vários dos quais estão a ser convertidos para a quinta geração”.

Há ainda outro fator que retarda um possível ataque a Taiwan, explica o Major-General. “Se a China quisesse conquistar pela força teria de se meter com os EUA” e, ainda que a China tenha vindo gradualmente a investir mais na sua defesa, o poderio “não é sequer comparável”. “A China tem um porta-aviões moderno e mesmo esse não tem a dimensão do Ronald Reagan. Fora isto, os Estados Unidos têm outros 18, doze dos quais ativos”.

O Ministério da Defesa de Taiwan disse que a partir das 17 horas locais de domingo, 66 aviões de guerra chineses e 14 embarcações chinesas foram detetados a operar à volta do Estreito de Taiwan. Entre os 22 caças que entraram no espaço aéreo em torno de Taiwan, 12 atravessaram a linha mediana, lê-se na declaração do ministério.

Oficiais de Defesa de Taiwan caracterizaram anteriormente os exercícios chineses como um "ataque simulado contra a ilha principal de Taiwan e as embarcações navais de Taiwan" - registando-se uma subida de tom desde sábado, quando o Executivo de Tsai Ing-wen disse que os exercícios militares à volta da ilha poderiam ser um "possível ataque simulado".

Os militares de Taiwan "acompanharam de perto" a situação e destacaram aeronaves e embarcações para reagir "adequadamente" aos exercícios militares chineses em redor da ilha, acrescentou o Ministério da Defesa.

Ásia

Mais Ásia

Patrocinados