China anuncia três dias de exercícios com fogo real no estreito de Taiwan e deixa o alerta: "É um aviso sério"

CNN Portugal , com LUSA
8 abr, 08:25

Mais de 40 aeronaves e oito navios de guerra chineses já cruzaram o estreito de Taiwan na manhã deste sábado

O exército chinês deu início este sábado a três dias de exercícios com fogo real em torno de Taiwan, classificando-os como "avisos sérios" contra os separatistas de Taiwan que acusa de estarem "em conluio com forças externas".

O Exército Popular de Libertação (EPL) chinês afirmou que estas manobras "servem como um sério aviso contra o conluio entre forças separatistas que procuram 'a independência de Taiwan' e forças externas, bem como contra atividades provocadoras", disse um porta-voz militar chinês Shi Yi, em comunicado.

Entretanto, o Ministério da Defesa taiwanês emitiu um comunicado no qual revela que 71 aeronaves e oito navios de guerra chineses cruzaram o estreito de Taiwan logo na manhã deste sábado.

Na quinta-feira, Pequim tinha condenado o encontro entre a líder de Taiwan, Tsai Ing-wen, com o presidente da Câmara dos Representantes norte-americano, Kevin McCarthy, e acusou Washington de "conluio" com Taiwan, ao mesmo tempo que garantiu "medidas resolutas e eficazes para salvaguardar a soberania e a integridade territorial".

Depois do encontro de Tsai e McCarthy, na quarta-feira, o Governo chinês enviou navios de guerra, um helicóptero e um avião de combate para o estreito de Taiwan, e anunciou sanções contra a representante de Taiwan nos EUA, Hsiao Bi-khim, e contra o Instituto Hudson e a Biblioteca Presidencial Ronald Reagan.

Horas depois, uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou, em conferência de imprensa, que "alguns países" apoiam "a independência de Taiwan, em nome da democracia" e para "usar a ilha como forma de conter a China", algo que descreveu como "perigoso e condenado ao fracasso".

"O futuro de Taiwan está na reunificação e o bem-estar do seu povo depende do rejuvenescimento da nação chinesa", disse Mao Ning, acrescentando que as "diferenças entre os sistemas de ambos os lados do estreito [de Taiwan] não são um obstáculo à reunificação".

A ilha é um dos maiores motivos da tensão entre a China e os EUA, principal fornecedor de armas a Taiwan.

Em 1949 e após a derrota contra o Partido Comunista, na guerra civil chinesa, o Governo nacionalista refugiou-se na ilha, que mantém, até hoje, o nome oficial de República da China, em contraposição com a República Popular da China, no continente chinês.

Pequim considera a ilha parte do seu território e ameaça a reunificação através da força, caso Taipé declare formalmente a independência.

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