Eileen Gu, a sensação olímpica adolescente, ganha o ouro. E arrasa a Internet chinesa

CNN , Jessie Yeung
9 fev 2022, 11:39

A plataforma líder de redes sociais chinesa foi abaixo temporariamente, na terça-feira, graças aos fãs de Eileen Gu. Dezenas de milhões apressaram-se a celebrar a sensação adolescente de esqui de estilo livre, que ganhou a sua primeira medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim.

Gu, de 18 anos, nascida na América, passou para o primeiro lugar na competição de estilo livre feminina no seu terceiro salto, conseguindo uma pontuação de 94,5, com um 1620 e uma aterragem perfeita. Isto perfez uma pontuação total de 188,25, na estreia do evento nos Jogos de Inverno.

Não ficou muito à frente da francesa Tess Ledeux, que ficou com a prata, com uma pontuação de 187,50. A suíça Mathilde Gremaud ganhou o bronze.

“Foi o melhor momento da minha vida. O momento, dia, o que seja, mais feliz da minha vida. Não consigo acreditar no que aconteceu”, disse Gu, depois da vitória, segundo o site olímpico.

“Mesmo que não tivesse conseguido, achei que passaria uma mensagem ao mundo e que encorajaria mais raparigas a saírem da sua zona de conforto”, acrescentou ela. “Esse era o meu maior objetivo, no último salto. Lembrei-me que me devia divertir e desfrutar do momento e que, independentemente do que acontecesse, estava muito grata por ter tido a oportunidade de estar aqui”.

Os fãs encheram a bancada para apoiar Gu, que nasceu e cresceu na Califórnia, mas que decidiu, em 2019, competir pela China. Conhecida como “a princesa da neve” entre os seus fãs chineses, Gu, já uma atual campeã mundial, tornou-se a cara não oficial das ambições olímpicas chinesas e viu a sua popularidade disparar no período que antecedeu os Jogos.

Ledeux, que tinha estado a liderar a competição até ao último salto, quando se desequilibrou na aterragem, desfez-se em lágrimas, depois do resultado final. Gu e Gremaud ajoelharam-se na neve para a consolar, abraçando Ledeux e esfregando-lhe as costas.

A vitória de Gu espoletou cenas de felicidade na Internet. O tópico dominou as pesquisas da plataforma chinesa Weibo, que se assemelha ao Twitter, onde sete dos dez tópicos mais procurados eram sobre a vitória de Gu. Fãs no Weibo, onde ela tem 2,6 milhões de seguidores, deixaram mais de 90 000 comentários em menos de 30 minutos, após a sua vitória.

Hashtags relacionados, tais como “Gu Ailing ganhou a medalha de ouro”, receberam mais de 300 milhões de visualizações em menos de hora, o que acabou por mandar abaixo todo o site do Weibo, devido ao enorme número de utilizadores.

As autoridades chinesas também foram invulgarmente rápidas a felicitar Gu. “Estamos felizes por saber que Gu Ailing, uma atleta de Pequim, ganhou uma medalha de ouro preciosa para a delegação desportiva chinesa e que honrou o país com o seu desempenho perfeito na final da plataforma de esqui livre feminino, nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim”, disse o Governo Municipal de Pequim e o Comité de Pequim do Partido Comunista Chinês (CCP), referindo-se a Gu pelo seu nome chinês.

O pai de Gu é americano e a sua mãe é chinesa. Ela cresceu a fazer esqui nas encostas do Lago Tahoe e chegou ao seu primeiro pódio da Taça do Mundo aos 15 anos.

Apesar de ter começado a competir pela China, não se sabe se renunciou à sua cidadania americana, o que, normalmente, é um requisito para a naturalização chinesa, uma vez que o país não permite que se tenha dupla nacionalidade. Gu nunca comentou publicamente o estado da sua cidadania americana, apesar de um artigo no site oficial das olimpíadas se ter referido à sua dupla nacionalidade, em janeiro.

Numa conferência de imprensa, após a sua vitória de terça-feira, os jornalistas perguntaram várias vezes a Gu se esta ainda era cidadã americana. Ela evitou todas as perguntas, dizendo apenas que se sentia americana nos EUA e chinesa na China.

Desde que se juntou à equipa nacional chinesa, a cara de Gu tem estado espalhada pelas capas de revistas e placares publicitários de todo o país. Até conseguiu inúmeros patrocínios e contratos com marcas e está a tornar-se muito rapidamente numa das jovens estrelas mais famosas da China, apesar de o seu novo sucesso também estar a gerar um aumento do escrutínio por parte dos críticos ocidentais.

Além da sua carreira no esqui, também é modelo, embaixadora de marcas e foi aceite na Universidade de Stanford, onde planeia estudar no outono.

Helen Regan, da CNN, contribui para esta reportagem.

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