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As forças armadas chinesas transformaram o melhor amigo do homem numa máquina de matar

CNN , Brad Lendon e Nectar Gan
28 mai, 17:52
O comandante-chefe das Forças Armadas do Camboja, Vong Pisen, e Gao Xiucheng, do Comando do Teatro do Sul do Exército de Libertação Popular da China, assistem a uma demonstração de um cão-robô equipado com metralhadora durante um exercício militar na província de Kampong Chhnang, a 16 de maio. Tang Chhin Sothy/AFP/Getty Images via CNN Newsource

Militares chineses exibem cães-robô com espingarda e para isto acontecer, segundo os especialistas, é porque terão atingido um certo nível de "maturidade técnica"

Parece saído do programa distópico “Black Mirror”, mas é apenas a mais recente adaptação da robótica ao campo de batalha moderno.

Durante os recentes exercícios militares com o Camboja, as forças armadas chinesas exibiram um cão-robô com uma espingarda automática montada nas costas, transformando essencialmente o melhor amigo (eletrónico) do homem numa máquina de matar.

“Pode servir como um novo membro nas nossas operações de combate urbano, substituindo os nossos operacionais (humanos) para efetuar o reconhecimento e identificar o inimigo e atingir o alvo”, explica um soldado identificado como Chen Wei num vídeo da emissora estatal CCTV.

O vídeo de dois minutos, realizado durante o exercício “Golden Dragon 2024” entre a China e o Camboja, mostra também o cão-robô a andar, saltar, deitar-se e andar para trás, sob o controlo de um operador remoto.

Num exercício, o robô que dispara a espingarda conduz uma unidade de infantaria para um edifício simulado.

A última parte do vídeo também mostra uma espingarda automática montada sob um drone aéreo de seis rotores, ilustrando o que o vídeo diz ser a “variedade de equipamento inteligente não tripulado” da China.

A utilização militar de cães-robôs - e, claro, de pequenos drones aéreos - não é novidade. Um vídeo da CCTV do ano passado também destacou os cães eletrónicos chineses armados com espingardas, num exercício conjunto que envolveu as forças armadas da China, do Camboja, do Laos, da Malásia, da Tailândia e do Vietname, realizado na China em novembro passado.

As forças armadas chinesas exibiram um cão-robô de combate equipado com metralhadora durante exercícios conjuntos com o Camboja. CCTV

Em 2020, a Força Aérea dos EUA demonstrou como utilizava cães robóticos como um elo do seu Sistema Avançado de Gestão de Batalha (ABMS), que utiliza inteligência artificial e análise rápida de dados para detetar e combater ameaças aos meios militares.

E desde a invasão russa da Ucrânia em 2022, os drones tornaram-se comuns no campo de batalha, em terra, no mar e no ar, com veículos baratos controlados remotamente capazes de derrubar máquinas militares sofisticadas, como tanques e até navios de guerra.

As capacidades letais dos drones observadas nos campos de batalha da Ucrânia demonstraram que são grandes equalizadores, permitindo às forças militares com orçamentos de defesa reduzidos competir com inimigos substancialmente mais bem armados.

A China é um dos principais exportadores mundiais de drones, mas no ano passado o seu Ministério do Comércio colocou controlos à exportação de tecnologia de drones, invocando a necessidade de “salvaguardar a segurança e os interesses nacionais”.

No entanto, os cães robóticos parecem estar a conseguir muita publicidade para o Exército de Libertação Popular.

E os cães têm vindo a aparecer nas redes sociais chinesas, fortemente regulamentadas, há pelo menos um ano.

De acordo com o jornal estatal Global Times, a presença dos cães robóticos em exercícios com forças armadas estrangeiras indica uma fase avançada de desenvolvimento.

“Normalmente, um equipamento novo não é levado para um exercício conjunto com outro país, pelo que os cães-robô devem ter atingido um certo nível de maturidade técnica”, afirmou um perito anónimo citado pelo Global Times.

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