Xi Jinping diz que "ações unilaterais e de intimidação estão a impactar seriamente a ordem internacional"

CNN Portugal , AM com Lusa
5 jan, 10:11
Xi Jinping no encerramento do 20.º Congresso do Partido Comunista Chinês

Presidente chinês lembra ainda que "todos os países devem respeitar os caminhos de desenvolvimento escolhidos independentemente pelos povos de outras nações

O presidente chinês, Xi Jinping, diz que o mundo "está a passar por um período de turbulência e mudança", e que "ações unilaterais e de intimidação estão a impactar seriamente a ordem internacional", sem nunca se referir a Donald Trump ou à captura de Nicolás Maduro.

As declarações foram feitas durante uma reunião com o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, segundo a emissora estatal CCTV.

Sem mencionar os Estados Unidos ou a Venezuela, Xi disse que "todos os países devem respeitar os caminhos de desenvolvimento escolhidos independentemente pelos povos de outras nações" e que devem "cumprir o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta da ONU, com as grandes potências, em particular, ao assumir a liderança".

Já o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, foi mais claro, tendo afirmado durante uma conferência de imprensa em Pequim que Nicolás Maduro deve ser libertado, alertando para o risco de instabilidade na América Latina.

“O uso da força pelos EUA viola claramente o direito internacional e os princípios fundamentais das relações internacionais”, disse o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, manifestando “profunda preocupação” com a detenção de Maduro e da sua mulher, Cilia Flores, e instou Washington a “garantir a sua segurança pessoal” enquanto permanecerem fora da Venezuela, além de exigir a sua libertação.

O porta-voz denunciou o “uso descarado da força” contra um país soberano, acusando os EUA de “ameaçar a paz e a estabilidade na América Latina e nas Caraíbas”, região que a China considera uma “zona de paz”.

Pequim reiterou a sua oposição ao uso ou ameaça de uso da força nas relações internacionais e às práticas de “assédio hegemónico”.

Lin apelou à resolução da crise na Venezuela através do diálogo e da negociação, e manifestou apoio à convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Questionado sobre contactos com Caracas, Lin afirmou que a China “respeita a soberania e independência da Venezuela” e acredita que o país “lidará com os seus assuntos internos de acordo com a Constituição e as leis”, sem confirmar se houve conversações com a vice-presidente Delcy Rodríguez, que assumiu interinamente o cargo de chefe do Executivo.

Sobre a cooperação bilateral, o porta-voz sublinhou que os projetos energéticos entre os dois países “são entre Estados soberanos” e estão protegidos pelo direito internacional. Acrescentou que, “independentemente das mudanças na situação interna venezuelana”, a disposição da China para aprofundar a cooperação com Caracas “não se alterará” e que os “interesses legítimos” de Pequim “continuarão a ser salvaguardados”.

Lin rejeitou ainda que a China procure estabelecer “esferas de influência” na América Latina, frisando que a sua política para a região é “coerente e estável”, baseada na não ingerência, igualdade e benefício mútuo, sem alinhamentos ideológicos.

“A China continuará a ser um bom amigo e parceiro” dos países da região, sublinhou, acrescentando que está pronta para cooperar com eles na defesa da Carta da ONU e da justiça internacional, bem como para responder às tensões decorrentes da situação na Venezuela.

As declarações surgem num contexto de elevada tensão, após os EUA terem capturado Maduro e o terem transferido para Nova Iorque, onde se encontra detido.

O episódio motivou críticas de vários governos e o pedido de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, que se realiza esta segunda-feira.

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