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Economista; Professor Associado e Coordenador na Universidade Europeia; Investigador Integrado no CETRAD

China, Ormuz e taxas de juro cronicamente altas na Europa

11 mai, 11:36
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Ao contrário do que sucedeu após a invasão da Ucrânia, desta vez não existe um fornecedor de petróleo alternativo capaz de compensar rapidamente a disrupção e, por isso, as consequências macroeconómicas são inevitáveis

Num mesmo dia, os mercados oscilam entre a esperança de um entendimento entre Washington e Teerão e o receio de uma escalada militar que volte a empurrar o Brent acima dos 100 dólares. Esta volatilidade deixou de ser conjuntural. Tornou-se estrutural.

O cenário mais preocupante é claro. Se o conflito se prolongar e o Estreito de Ormuz continuar condicionado, o défice diário de oferta atinge entre 15 e 20 milhões de barris. Num contexto desta magnitude, vários analistas admitem cotações entre 150 e 200 dólares por barril. O Fundo Monetário Internacional já considera que níveis sustentados acima dos 120 dólares poderão desencadear um cenário económico particularmente severo em 2027.

A Europa está entre os blocos mais vulneráveis. Ao contrário do que sucedeu após a invasão da Ucrânia, desta vez não existe um fornecedor alternativo capaz de compensar rapidamente a disrupção. O impacto estende-se ao petróleo, ao gás, aos refinados e aos fertilizantes. Só nos primeiros meses de conflito, a União Europeia já suportou dezenas de milhares de milhões de euros em custos energéticos adicionais.

As consequências macroeconómicas são inevitáveis. Em Portugal, o FMI admite uma inflação de 4,2% caso as tensões persistam. Na Zona Euro, o Banco Central Europeu poderá ser forçado a manter uma política monetária mais restritiva do que o esperado. O verdadeiro risco já não está apenas em duas novas subidas das taxas de juro, mas na possibilidade de entrarmos numa era de juros cronicamente elevados, penalizando famílias, empresas, investimento e crescimento.

Neste contexto, a China assume um papel decisivo. É hoje a única potência com capacidade para dialogar com todas as partes. Mantém uma relação estratégica com o Irão, é um dos maiores consumidores mundiais de energia e tem interesse direto na estabilização dos fluxos petrolíferos. Simultaneamente, preserva canais de comunicação com Washington, Moscovo e os principais atores do Golfo.

Pequim não é apenas uma potência económica. É, neste momento, um potencial garante da estabilidade global. Se conseguir contribuir para o desbloqueio de Ormuz e para uma solução diplomática, poderá evitar um choque energético com efeitos destrutivos para a economia mundial.

Num mundo fragmentado, a capacidade de diálogo tornou-se o ativo mais valioso. E, hoje, nenhum país a possui com a mesma amplitude estratégica que a China.

 

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