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Xi Jinping voltou à Coreia do Norte com vontade de injetar um "forte impulso" na relação com Kim Jong-un

CNN , Simone McCarthy e Yoonjung Seo
8 jun, 18:52
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A China tenta cada vez mais projetar-se como uma potência global versátil

O líder chinês Xi Jinping apelou ao aprofundamento da “coordenação e cooperação estratégica” com a Coreia do Norte logo após ter recebido uma receção pomposa para assinalar a sua primeira visita à nação isolada em sete anos.

Os dois lados devem injetar um “forte impulso” nos seus laços, disse Xi durante uma reunião esta segunda-feira com Kim, dando início à sua visita de Estado de dois dias, de acordo com um comunicado divulgado pela agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

A China está pronta para expandir a cooperação em áreas como a economia e o comércio, a agricultura, a saúde, a construção, a ciência e a tecnologia, acrescentou.

O líder norte-coreano Kim Jong-un e a primeira-dama Ri Sol-ju receberam Xi no aeroporto de Pyongyang, com imagens oficiais que mostram o casal a aplaudir quando o avião de Xi aterrou.

Xi e a mulher, Peng Liyuan, foram recebidos “calorosamente” por Kim e presenteados com ramos de flores por crianças norte-coreanas, informou a emissora estatal chinesa CCTV.

Numa cerimónia de boas-vindas na Praça Kim Il-sung, uma escolta de cavalaria alinhou-se para receber os convidados, enquanto multidões cuidadosamente coreografadas acenavam com flores e bandeiras sob enormes retratos de Xi e Kim instalados sobre a praça, como mostraram imagens dos meios de comunicação estatais.

Após uma salva de 21 tiros, os dois líderes passaram revista à guarda de honra, cujos membros gritaram em coreano: "desejamos saúde ao camarada Xi Jinping", informou a CCTV. Kim e Xi realizaram posteriormente conversações e participaram num banquete no Palácio de Mokran, um local de grande prestígio, segundo a CCTV.

A visita é a primeira viagem internacional de Xi este ano e acontece poucas semanas depois de ter recebido separadamente o líder russo Vladimir Putin e o presidente norte-americano, Donald Trump, na capital chinesa.

O momento escolhido reflete os esforços de Pequim para projetar a China como uma potência global versátil num momento de intensa instabilidade geopolítica.

A viagem representa também uma oportunidade para Xi reafirmar os laços históricos e estreitos do seu país com Pyongyang - um gesto claro de Pequim que demonstra que, mesmo com a intensificação das relações entre Kim e Putin nos últimos anos, a China continua a ser o parceiro económico e diplomático mais importante da Coreia do Norte.

Xi disse a Kim que "independentemente de como a situação internacional mude, a posição firme do Partido e do governo chinês, que valorizam muito a amizade tradicional entre a China e a Coreia do Norte, não mudará", de acordo com o comunicado da Xinhua.

As bandeiras nacionais da Coreia do Norte e da China são expostas numa rua antes da visita do líder chinês Xi Jinping a Pyongyang, a 8 de junho de 2026 (Kim Won Jin/AFP/Getty Images)
As bandeiras nacionais da Coreia do Norte e da China são expostas numa rua antes da visita do líder chinês Xi Jinping a Pyongyang, a 8 de junho de 2026 (Kim Won Jin/AFP/Getty Images)

Para a Coreia do Norte, a visita de Xi Jinping marca mais um capítulo no seu longo jogo de equilíbrio entre a Rússia e a China, procurando benefícios militares e económicos de ambos os países, evitando ao mesmo tempo a excessiva dependência de qualquer um deles.

Um dia antes da chegada de Xi, os meios de comunicação estatais norte-coreanos noticiaram que Kim Jong-un inspecionou uma importante fábrica de munições, onde foi informado sobre a “expansão da capacidade de produção de diversos mísseis balísticos e de cruzeiro”.

Na semana passada, Kim Jong-un visitou uma nova fábrica que produz material nuclear para armas, afirmando que Pyongyang planeia “reforçar as forças nucleares do nosso Estado a um ritmo exponencial”, segundo os meios de comunicação estatais.

Não é claro até que ponto o programa ilegal de armas nucleares da Coreia do Norte será abordado nas negociações entre os dois autocratas.

Pequim é amplamente vista como cautelosa em relação a este programa, que tradicionalmente aumenta o foco americano na região e representa um risco de instabilidade que poderá afetar a China, que partilha uma fronteira com a Coreia do Norte.

Mas a liderança chinesa também vê Pyongyang como parte de um nexo mais vasto de atores alinhados com Pequim que atuam como contrapeso ao poder americano.

Xi aludiu a esta cooperação internacional, dizendo que a China e a Coreia do Norte devem "defender firmemente as suas respetivas soberanias, segurança e interesses de desenvolvimento, e salvaguardar conjuntamente a paz e o desenvolvimento regional".

Reequilibrando laços

As visitas de líderes estrangeiros à Coreia do Norte são raras. A última visita de Xi foi em 2019, enquanto Putin realizou uma viagem em 2024, quando Moscovo e Pyongyang celebraram o reforço dos seus laços militares com a assinatura de um tratado de defesa mútua.

Os laços entre Pequim e Pyongyang arrefeceram visivelmente nos últimos anos. O encerramento das fronteiras durante a pandemia de covid-19 dificultou o intercâmbio entre os dois lados e, posteriormente, Pyongyang aproximou-se de Moscovo, enviando o que se acredita serem milhares de soldados para auxiliar a Rússia na guerra contra a Ucrânia.

A visita representa uma oportunidade para Xi Jinping pressionar por um reequilíbrio destas relações e sinalizar a importância do relacionamento para Pequim numa altura em que o equilíbrio global de poder está a mudar em plena reformulação da política externa dos EUA promovida pela administração Trump.

Xi e Kim Jong-un encontraram-se pela última vez em setembro, quando o líder norte-coreano estava entre vários líderes mundiais num desfile militar em Pequim - com Kim sentado ao lado de Xi. Putin também esteve presente no desfile, e os três líderes demonstraram uma união sem precedentes.

A viagem coincide com o 65.º aniversário do Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua de 1961 entre a China e a Coreia do Norte, o único tratado de defesa mútua da China, assinado menos de uma década depois de as tropas chinesas terem combatido ao lado da Coreia do Norte na Guerra da Coreia.

As relações da Coreia do Sul com o Norte têm-se deteriorado nos últimos anos.

“A Rússia e a Coreia do Norte desenvolveram laços cada vez mais estreitos e a divisão entre as Coreias do Norte e do Sul continua a aumentar”, disse o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, numa conferência de imprensa esta segunda-feira, referindo-se à viagem de Xi. “Mas devemos continuar a procurar o diálogo.”

Nesta foto cedida pelo governo norte-coreano, da direita para a esquerda, o líder norte-coreano Kim Jong-un, o presidente chinês Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin assistem a um desfile militar que assinala o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Praça Tiananmen, em Pequim, a 3 de setembro de 2025 (KCNA/AP)
Nesta foto cedida pelo governo norte-coreano, da direita para a esquerda, o líder norte-coreano Kim Jong-un, o presidente chinês Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin assistem a um desfile militar que assinala o 80.º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Praça Tiananmen, em Pequim, a 3 de setembro de 2025 (KCNA/AP)

Trump também demonstrou repetidamente interesse em retomar a diplomacia de alto nível dos EUA com a Coreia do Norte. O presidente norte-americano encontrou-se com Kim três vezes durante o seu primeiro mandato - parte de uma tentativa, repleta de pompa, de desmantelar o programa nuclear norte-coreano, que acabou por falhar.

No outono passado, Kim manifestou abertura para se voltar a reunir com Trump, mas apenas se os EUA abandonarem os objectivos de desnuclearização. É difícil saber se isto seria aceitável para Trump, que lançou uma guerra contra o Irão, em parte, para destruir o programa de enriquecimento nuclear do país.

A península coreana esteve entre os assuntos discutidos entre Xi e Trump durante a visita de três dias do presidente norte-americano a Pequim, em maio.

Um comunicado da Casa Branca sobre o encontro, na altura, afirmou que os dois líderes partilham o “objetivo de desnuclearizar a Coreia do Norte”. O comunicado chinês referiu que Xi e Trump “trocaram opiniões” sobre a península.

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