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Trump diz que Xi lhe deu duas garantias importantes mas na sombra há algo que não vai agradar a China

14 mai, 17:34
O presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma cerimónia de boas-vindas no Grande Salão do Povo, em Pequim, na quinta-feira, 14 de maio de 2026. (Kenny Holston/Pool Photo via AP)
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Irão e Taiwan, uma guerra que existe e outra que se teme vir a existir, estão a ser temas de jogadas nos bastidores da cimeira

O primeiro contacto ao mais alto nível entre os presidentes de Estados Unidos e China deixou Donald Trump com uma garantia: Pequim não vai ajudar o Irão na guerra que ainda está em curso, mesmo que esteja em vigor um frágil cessar-fogo.

Em entrevista à Fox News, o presidente norte-americano afirmou que Xi Jinping se ofereceu para ajudar a resolver o conflito no Médio Oriente, sendo que as indicações de que os Estados Unidos dispõem apontam que a China tem ajudado o Irão a resistir e até a atacar, nomeadamente através da partilha de informações com recurso a satélites.

Xi Jinping terá também garantido que a China não vai enviar armas para o Irão.

Em paralelo, a China é o principal consumidor de petróleo do Irão, pelo que o continuar de uma guerra acaba por prejudicar sempre Pequim, que tem agido de forma neutral neste conflito, ainda que tenha intercedido pela paz, em conjunto com o Paquistão, numa primeira fase.

“O presidente Xi gostaria de ver um acordo feito. A sério, ele gostaria de ver um acordo feito. E ele fez uma oferta. Ele disse ‘se puder ajudar com algo, gostaria de poder ajudar’”, afirmou Donald Trump ao jornalista Sean Hannity que foi transmitida já no fim do primeiro de dois dias de viagem à China.

“Ele gostaria de ver o Estreito de Ormuz aberto”, reiterou o presidente norte-americano, que espera que algum tipo de pressão da China possa ajudar a convencer o Irão a ser mais benevolente das negociações.

Com efeito, uma conclusão emitida pelos Estados Unidos na sequência da primeira reunião indicou que a China concordou que o Estreito de Ormuz “deve continuar aberto”, sendo que Pequim se opõe à presença militar e até ao pagamento de portagens para cruzar aquela passagem.

Em todo o caso, e antecipando-se às declarações de Donald Trump, o secretário de Estado norte-americano disse à NBC News que os Estados Unidos “não precisam da ajuda” da China.

“Levantámos a questão para tornar clara a nossa posição e para fazer com que eles percebessem, porque era lógico que iríamos falar sobre isso, tendo conta o quão dominante este assunto é”, reiterou.

E se os Estados Unidos apreciam a postura da China em relação ao Irão, o contrário pode não acontecer. Isto porque, segundo Marco Rubio, a política norte-americana em relação a Taiwan mantém-se na mesma.

De acordo com o secretário de Estado norte-americano, a China levanta sempre esta questão, mas a resposta dos Estados Unidos é sempre a mesma. “Da nossa perspetiva, qualquer mudança forçada do status quo seria má para ambos os países”, referiu, admitindo mesmo a venda de novos pacotes de armas a Taiwan, o que terá sempre de passar pelo Congresso.

Na prática, e como tem sido hábito nesta administração norte-americana, o presidente elogiou os seus adversários e o chefe da diplomacia veio colocar um tom mais direto no assunto. É que se é óbvio que a posição que a China transmitiu sobre o Irão agrada aos Estados Unidos, dificilmente a visão em relação a Taiwan, nomeadamente a ausência de uma mudança de postura, agradará a Pequim.

No fim do dia, e julgando as palavras dos dois líderes norte-americanos, há duas garantias importantes da China em relação ao Irão, enquanto os Estados Unidos não parecem disposto a verbalizar o que Pequim tanto quer em relação a Taiwan.

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